quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Programa Provocações entrevista Wagner Moura

A Corporação ( The Corporation ) Parte 13 a 15 - Final





A Corporação ( The Corporation ) Parte 10 a 12





A Corporação ( The Corporation ) Parte 7 a 9





A Corporação ( The Corporation ) Parte 4 a 6





A corporação ( The Corporation ) - Parte 1 a 3

Em resumo, as corporações são monstruosas em sua essência para poder atingir seus objetivos de gerar riqueza a seus acionistas (tanto os majoritários como os minoritários). Além disso, as corporações vivem em um ambiente hostil a sua existência e travando disputas jurídicas de toda sorte, porque faz mal aos seres humanos, aos animais, ao meio ambiente e não é condescendente com seus empregados. Claro que as corporações são monstruosas, porém existe um relacionamento simbiótico entre a sociedade, o Estado e as corporações que nunca deixará de existir, pois cada um depende do outro para existir. Portanto, deve haver limites para as corporações e estes limites têm que ser impostos pelo mercado, através da bolsa de valores, e pela sociedade, através do consumo consciente.







terça-feira, 3 de agosto de 2010

Discussão entre Ministros - Supremo Tribunal Federal (STF)





Joaquim Barbosa nasceu em Paracatu, noroeste de Minas Gerais. É o primogênito de oito filhos. Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram. Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público. Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado.

Foi Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândi e, após, foi Advogado do Serviço Federal de Processamento de Dados - SERPRO (1979-84).

Prestou concurso público para procurador da República, e foi aprovado. Licenciou-se do cargo e foi estudar na França, por quatro anos, tendo obtido seu mestrado em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e seu doutorado em Direito Pú
blico pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1993. Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi visiting scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000) e na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law (2002 a 2003). Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade.

Embora se diga que ele é o primeiro negro a ser ministro do STF, ele foi, na verdade, o terceiro sendo precedido por Hermenegildo de Barros (de 1919 a 1937) e Pedro Lessa (de 1907 a 1921).

Demonstra defesa incondicional em certas questões. É o único ministro abertamente favorável à legalização do aborto;é contra o poder do Ministério Público de arquivar inquéritos administrativamente, ou de presidir inquéritos policiais. Defende que se transfira a competência para julgar processos sobre trabalho escravo para a Justiça federal.

Defende a tese de que despachar com advogados deva ser uma exceção, e nunca uma rotina, para os ministros do Supremo. Restringe ao máximo seu atendimento a advogados de partes, por entender que essa liberalidade do juiz não pode favorecer a desigualdade. A posição do ministro, todavia, é criticada por advogados e pela Ordem dos Advogados do Brasil, sob o fundamento de que despachar com os magistrados é um direito dos advogados, conferido pela Lei 8.906/94, cujo art. 7, inciso VIII preceitua ser direito dos advogados: "dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de trabalho, independentemente de horário previamente marcado ou outra condição, observando-se a ordem de chegada".

O ministro Barbosa diz ser, também, contra à suposta prestação preferencial de jurisdição às partes de maior poder aquisitivo ("furar fila"). A postura do ministro também tem sido criticada pela OAB, sob o fundamento de que, por vezes, situações de urgência realmente justificariam a inversão da ordem dos julgamentos.Barbosa opõe-se, também, ao foro privilegiado para autoridades.

fonte: Enciclopédia Livre

Al Pacino - Discurso do Coronel - Scent Of A Woman

Dublagem Espanhol

Isla Presidencial - Episodio 4

domingo, 1 de agosto de 2010

Nelson Mandela imagens

Nelson Mandela - Biografia

Nelson Rolihlahla Mandela (Mvezo, 18 de julho de 1918) é um advogado, ex-líder rebelde e ex-presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Principal representante do movimento antiapartheid, como ativista, sabotador e guerrilheiro. Considerado pela maioria das pessoas um guerreiro em luta pela liberdade, era considerado pelo governo sul-africano um terrorista. Passou a infância na região de Thembu, antes de seguir carreira em Direito. Em 1990 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz, que foi recebido em 2002. Na África do Sul também é conhecido como 'Madiba', um título honorário adotado por membros do clã de Mandela.

Mandela envolveu-se na oposição ao regime do Apartheid, que negava aos negros (maioria da população) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano (conhecido no Brasil pela sigla portuguesa, CNA, e em Portugal pela sigla inglesa, NAC) em 1947, e dois anos depois fundou com Walter Sisulu e Oliver Tambo (entre outros) uma organização mais dinâmica, a Liga Jovem do NCA/ANC

Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos africânderes Partido Nacional apoiantes da política de segregação racial, Mandela tornou-se activo no CNA, tomando parte do Congresso do Povo (1975) que divulgou a Carta da Liberdade - documento contendo um programa fundamental para a causa antiapartheid.
Comprometido de início apenas com actos não violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville (21 de Março de 1960), quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, desarmados, matando 69 pessoas e ferindo 180 - e a subsequente ilegalidade do CNA e outros grupos antiapartheid.
Em 1961 tornou-se comandante do braço armado do ANC, o chamado Umkhonto we Sizwe ("Lança da Naçã
o", ou MK), fundado por ele e outros. Mandela coordenou uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo, fazendo também planos para uma possível guerrilha se a sabotagem falhasse em acabar com o apartheid; também viajou em coleta de fundos para o MK, e criou condições para um treinamento e atuação paramilitar do grupo.

Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso e sentenciado a 5 anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 02 de junho de 1967 foi sentenciado novamente, dessa vez a prisão perpétua (apesar de ter escapado de uma pena de enforcamento), por planejar ações armadas, em particular sabotagem (o que Mandela admite) e conspiração para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega). No decorrer dos vinte e seis anos seguintes, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou bandeira de todas as campanhas e grupos antiapartheid ao redor do mundo. Enquanto estava na prisão, Mandela enviou uma declaração para o NCA (e que viria a público em 20 de Junho de 1980) em que dizia: "Unam-se! Mobilizem-se! Lutem! Entre a bigorna que é a ação da massa unida e o martelo que é a luta armada devemos esmagar o apartheid!"

Recusando trocar uma liberdade condicional pela recusa em cessar o incentivo a luta armada (Fevereiro de 1985), Mandela continuou na prisão até Fevereiro de 1990, quando a campanha do ANC e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk. O ANC também foi tirado da ilegalidade.

Nelson Mandela recebeu em 1989 o Prêmio Internacional Al-Gaddafi de Direitos Humanos, e em 1993, com de Klerk, recebeu o Nobel da Paz, pelos esforços desenvolvidos no sentido de acabar com a segregação racial. Em Maio de 1994, tornou-se ele próprio o presidente da África do Sul, naquelas que foram as primeiras eleições multirraciais do país. Cercou-se, para governar, de personalidades do ANC, mas também de representantes de linhas políticas.

Mandela foi libertado pelo presidente Frederik de Klerk em 1990. Tornou-se então líder do Congresso Nacional Africano (ANC), do qual já de há muito se tornara referência. A sua experiência de luta contra o apartheid, a sua postura de moderado no período de transição para uma ordem democrática sem segregação, o claro objectivo de operar a reconciliação nacional que norteou as suas relações com o Presidente de Klerk, valeram-lhe um inesgotável prestígio no país e no estrangeiro. Mandela é provavelmente o político com maior autoridade moral no continente Africano, o que lhe tem permitido desempenhar o papel de apaziguador de tensões e conflitos.

Como presidente do CNA (de julho de 1995 a dezembro de 1999) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1991 a junho de 2000), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa. Alguns radicais ficaram desapontados com os rumos de seu governo, entretanto; particularmente na ineficácia do governo em conter a crise de disseminação da SIDA/AIDS.

Mandela também foi criticado por sua amizade próxima para com líderes como Fidel Castro (Cuba) e Muammar al-Gaddafi (Líbia), a quem chamou de "irmãos das armas". Sua decisão em invadir o Lesoto, para evitar um golpe de estado naquele país, também é motivo de controvérsia.

Casou-se três vezes. A primeira esposa de Mandela foi Evelyn Ntoko Mase, da qual se divorciou em 1957 após 13 anos de casamento. Depois casou-se com Winnie Madikizela, e com ela ficou 38 anos, divorciando-se em 1997, com divergências políticas entre o casal vindo a público. No seu 80º aniversário, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano e aliado do CNA.

Afastamento da política

Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Ele recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Isabel II, e a Medalha presidencial da Liberdade de George W. Bush. Ele é uma das duas únicas pessoas de origem não-indiana a receber o Bharat Ratna - distinção mais alta da Índia - em 1970. (A outra pessoa não-indiana é a Madre Teresa de Calcutá.)Em 2001 tornou-se cidadão honorário do Canadá e também um dos poucos líderes estrangeiros a receber a Ordem do Canadá.

Em 2003, Mandela fez alguns pronunciamentos controversos, atacando a política externa do presidente estadunidense Bush. No mesmo ano, ele anunciou seu apoio à campanha de arrecadação de fundos contra a AIDS chamada 46664 - número que lembra a sua matrícula prisional.
Em Junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou que se retiraria da vida pública. Sua saúde tem sofrido abalos nos últimos anos e ele deseja aproveitar o tempo que lhe resta com a família. Fez uma exceção, no entanto, por seu compromisso em lutar contra a AIDS. Naquele mesmo mês ele viajou para a Indonésia, a fim de discursar na XV Conferência Internacional sobre a AIDS.

Em Novembro de 2006,
foi premiado pela Anistia Internacional com o prêmio Embaixador de Consciência 2006 em reconhecimento à liderança na luta pela proteção e promoção dos direitos humanos.Em abril de 2007, Mandela apareceu no comício do Congresso Nacional Africano, do candidato a presidente Jacob Zuma, mostrando seu apoio.

Em junho de 2008 foi realizado um grande show em Londres em homenagem aos seus 90 anos, onde participaram vários cantores mundialmente conhecidos.
Na madrugada de 11 de Junho de 2010, um dia antes da abertura do Mundial da África do Sul e no dia do Concerto, a sua bisneta, Zenani Mandela de 13 anos morre num acidente de carro, que capotou. O autor deste acidente vinha embriagado. Devido a este terrível acontecimento, Nelson não pode estar presente no jogo de abertura do Mundial 2010.

Fonte: Enciclopédia Livre

Trotsky

Trótski - Biografia


Leon Trótski (Ianovka, 7 de novembro de 1879 —Coyoacán, 21 de agosto de 1940) foi um intelectual marxista e revolucionário bolchevique, fundador do Exército Vermelho e rival de Stalin na tomada do PCUS à morte de Lenin.

Seu nome em ucraniano é Лев Давидович Троцький, que pode ser transliterado como Lev Davidóvitch Trótskii. Todavia, seu verdadeirosobrenome era Bronstein (Бронштейн). Pelo calendário juliano, utilizado nos países de tradição ortodoxa, nasceu em 26 de outubro de 1879. Nos primeiros tempos da União Soviética desempenhou um importante papel político, primeiro como Comissário do Povo (Ministro) para os Negócios Estrangeiros; posteriormente como criador e comandante do Exército Vermelho, e fundador e membro do Politburo do Partido Comunista da União Soviética.

Afastado por Stalin (ou Estaline) do controle do partido, Trótski foi expulso deste e exilado da União Soviética, refugiando-se no México, onde veio a ser assassinado por Ramón Mercader, um agente de Stalin.As suas ideias políticas, expostas numa obra escrita de grande extensão, deram origem ao trotskismo, corrente ainda hoje importante no marxismo. Trótski nasceu numa pequena localidade do óblast de Kherson na atual Ucrânia, sendo o quinto filho de Anna e David Leontyevish Bronstein ou Bronshtein (1847 - 1922), um humilde lavrador de origem judaica que havia aproveitado os esquemas de colonização tsaristas naCrimeia para abandonar a área tradicional de residência autorizada aos judeus (o "pálio") e converter-se num próspero, ainda que iletrado, fazendeiro Embora a família fosse de origem judaica, não era religiosa; em casa, falava-se russo ou ucraniano e nãoiídiche.

Aos 9 anos, foi para Odessa, a fim de prosseguir seus estudos numa escola tradicional alemã que, ao longo dos anos em que Trótski ali permaneceu, passou pelo processo de russificação, conforme a política czarista da época. Um bom aluno, Trotski revelava já um temperamento de líder, organizando um protesto contra um professor impopular no 2º ano. Não mostrou, contudo, grande interesse pela política nem pelo socialismo até 1896, quando se mudou para Nikolaev, onde cumpriu seu último ano de estudos secundários.

Posteriormente cursou Matemática por um breve período na Universidade Nacional de Odessa. Sua irmã Olga viria a se casar com Lev Kamenev, um dos principais líderes bolcheviques e membro do triunvirato liderado por Stálin, que afastaria o próprio Trótski do poderTrótski teve seu primeiro contato com o marxismo em 1896, quando ainda estudante em Nikolaiev. Participou desde jovem da oposição clandestina ao regime autocrático dos czares, organizando em 1897 a Liga Operária do Sul da Rússia, motivo de sua primeira prisão em 1898, tendo sido condenado a dois anos de detenção.

Nesse período casou-se pela primeira vez – com Alexandra Sokolovskaia. Em 1900 foi novamente condenado a quatro anos de exílio na Sibéria. Aprofunda os seus estudos marxistas, iniciados na prisão - onde havia produzido um manuscrito, depois perdido, sobre a maçonaria - e começa a escrever artigos de crítica literária e cultural para a imprensa local. Na Sibéria nascem suas duas filhas mais velhas, Nina e Zina - a primeira das quais morreria de tuberculose no final da década de 1920; a segunda suicidar-se-ia em Berlim durante a emigração forçada por Stalin, em 1933.

Em 1902, assumindo o nome Trótski (de um guarda prisional dos tempos de Odessa), conseguiu fugir da Sibéria rumo a Londres, onde se aproximou da figura que já então despontava na oposição social-democrata no exílio: Vladimir Lenin, então editor do "Iskra", jornal do Partido Social-Democrata dos Trabalhadores da Rússia (PSDTR). Apesar da oposição do "pai do marxismo russo", Gueorgui Plekhanov, Lenin introduziu Trótski no Conselho Editorial do "Iskra".

Esta primeira cooperação mútua entre os dois futuros líderes da Revolução Russa, no entanto, logo é rompida. Em 1903, Trótski participa no 2º congresso do PSDTR, onde se trava o famoso debate sobre as concepções organizacionais do partido. A corrente bolchevique, liderada por Lenin, favorece um partido centralizado sob a direção de revolucionários profissionais; a corrente menchevique, liderada por Plekhanov, pretende um partido com critérios mais amplos e disciplina partidária menos rígida. Na sua obra Nossas Tarefas Políticas, Trótski discorda da concepção de partido de Lenin, a quem acusava de jacobinismo, e mantém afinidades com os mencheviques, de quem todavia se afasta quanto ao caráter e ao sujeito político e social da revolução na Rússia.

De fato Trótski mantém um certo grau de independência frente às duas correntes, as quais procura em vão conciliar. Em 1905 rompe com os mencheviques e torna-se socialista independente. É no decorrer desse primeiro exílio que Trótski, separado de Sokolovskaia (que continuaria a ser sua aliada política, militando na oposição trotskista durante a década de 1920 e desaparecendo no Gulag durante a década seguinte), conhece sua segunda esposa, Natália Sedova, que seria sua companheira para o resto da vida e com quem terá dois filhos, Serguei Sedov e Leon Sedov. Destes, o primeiro desapareceria no Gulag, durante as purgas de Stalin, e o segundo morreria misteriosamente em Paris, em 1938, durante o pós-operatório de uma apendicectomia, num hospital da emigração russa, admitindo-se hoje que tenha sido assassinado pelo GPU, dado que, à época, a comunidade russa exilada estava infiltrada por agentes da polícia política soviética. Diz-se que a internação no hospital teria sido sugerida a Sedov, por seu associado Mordka Zborovsky (codinome "Étienne"), o qual descobriu-se mais tarde ser um agente stalinista inflitrado no movimento trotskista.

Por volta de 1903, Trótski entraria em contato com o socialista alemão, Alexander Parvus, o qual havia elaborado o primeiro esboço do que viria a ser aTeoria da Revolução Permanente: a ideia de que a futura revolução russa não seria como pensavam os mencheviques – dirigida pela burguesia liberal, buscando construir um Estado capitalista - nem como pensavam os bolcheviques – dirigida pela classe operária ou pelo campesinato mas cumprindo as mesmas tarefas democráticas e construindo um Estado capitalista à revelia da burguesia. Trótski propôs, alternativamente, que as tarefas democráticas, de caráter burguês, só poderiam ser cumpridas na Rússia sob a direção da classe operária,mas que esta, no processo de implantação destas reformas burguesas, necessariamente tenderia para o socialismo.

Dois anos depois de romper com Lenin, Trótski regressa à Rússia para participar na revolução de 1905, chegando a presidente do primeiro conselho revolucionário, o soviete de São Petersburgo. Fracassada a revolução, o seu envolvimento numa greve geral em outubro e apoio à rebelião armada que dela decorreu levam à condenação ao exílio perpétuo, novamente na Sibéria. Mas em janeiro de 1907 consegue novamente escapar e regressar a Londres para participar no 5º congresso do PSDTR. Em outubro desse ano muda-se para Viena, onde, em Outubro de 1908 funda um periódico social democrata bi-semanal em língua russa, o Pravda (A verdade), dirigido aos trabalhadores na Rússia aos quais chega clandestinamente, que co-edita com Adolphe Joffe, Matvey Skobelev e Viktor Kopp, o qual iria editar até 23 de abril de 1912. Distribuído clandestinamente na Rússia, este jornal foi uma das publicação revolucionárias mais populares da época. O Pravda "vienense" de Trótski propugnava pela união das facções social-democratas russas, buscando superar intrigas políticas sectárias. No entanto, exatamente por esta posição "anti-sectária", Trótski não conseguiu evitar vivas polémicas com Lenin.

Quando as várias facções mencheviques e bolcheviques (que por sua vez se haviam cindido múltiplas vezes após o fracasso da revolução de 1905-1907) tentaram reunificar-se em obediência ao estabelecido numa reunião do Comité Central em Janeiro de 1907 em Paris - aliás, contra as objecções de Lenin – o Pravda acabou por ser reconhecido como órgão oficioso da Social-Democracia Russa, sendo por ela financiado. Lev Kamenev, por esta altura já cunhado de Trótski, entrou no conselho editorial por indicação dos bolcheviques, mas as tentativas de unificação fracassaram em Agosto de 1910, quando Kamenev se demitiu do conselho num clima de recriminações mútuas. Trótski continuou a publicar o Pravda durante mais 2 anos, até à sua extinção em Abril de 1912. A esta altura, o jornal teria o seu nome apropriado pelos bolcheviques de Lenin, que criaram assim o futuro Pravda, como órgão oficial exclusivamente da sua facção, daí em diante publicado de forma semi-legal na Rússia.

Quando da eclosão das Guerras Balcânicas de 1912-1913, Trótski, esgotado pelas lutas faccionárias da emigração russa, desloca-se para a Sérvia,Bulgária e Romênia como correspondente do jornal liberal ucraniano Pensamento de Kiev. Ali denuncia atrocidades de guerra cometidas pelas forças sérvias e búlgaras contra as populações turca e albanesa, e participa das atividades políticas da social-democracia romena. Mais tarde, em 1914, perante a ameaça de ser internado como cidadão de um país inimigo aquando da eclosão da I Guerra Mundial, Trótski muda-se da Áustria para a Suíçae posteriormente para França - onde editará a publicação "Nashe Slovo" [Nossa Palavra] - cujo apoio à linha antimilitarista adotada por parte do movimento socialista na Conferência de Zimmervald acabará por indispô-lo com o governo francês, que, por instigação do embaixador russo em Paris, acaba por deportar Trótski em setembro de 1916 para Irún, em Espanha, onde é novamente detido pela polícia e forçado a embarcar para os EUA. Estabelece-se em Nova Iorque, onde colabora no jornal Novy Mir [Mundo Novo]. Ali se encontra quando subitamente, com o derrube do Czar Nicolau II, rebenta a Revolução Russa de 1917, levando-o a regressar ao seu país em maio.

Os dias da revolução: De Outubro a Brest-Litovski

No decurso da revolução, Trótski deixa de acreditar na unificação de todas as facções social-democratas, abandona a sua trajectória anterior de socialista independente e junta-se ao partido bolchevique de Lenin. Destacando-se pelo seu talento como organizador e agitador, é eleito presidente do soviete de Petrogrado, participa activamente na luta para derrubar o Governo Provisório de Alexander Kerenski, e lidera o Comité Militar Revolucionário que planeja e concretiza o assalto ao Palácio de Inverno, consumando a Revolução de Outubro.

Após a conquista do poder pelos Bolcheviques, Trótski torna-se Comissário do Povo para os Negócios Estrangeiros, com a missão de negociar o armistício militar com a Alemanha e seus aliados. A posição de Trótski nas negociações do armistício foi oposta a de Lenin - que achav
a que um tratado deveria ser assinado com a Alemanha em quaisquer condições - mas também oposta a dos comunistas de Esquerda, que propunham a guerra revolucionária; para ele, a posição a tomar seria de "nem paz, nem guerra"; o governo soviético deveria retirar-se das conversações e esperar pela agitação revolucionária no exército alemão. Através de uma combinação prévia com Lenin, que havia aceitado testar sua proposta ("para estar de bem com Trótski, vale a pena até perder a Letônia e a Estônia", teria dito Lenin), Trótski acaba por retirar-se de fato das conversações a 10 de fevereiro de 1918, respondendo a Alemanha com um novo ataque, que obrigou o governo soviético a assinar por fim a 3 de março o desvantajoso Tratado de Brest-Litovski.
Trótski abandona subsequentemente o cargo, mas ainda no mesmo mês é nomeado Comissário do Povo para os Assuntos Militares (até 1925) e, em setembro, líder do Comité Militar Revolucionário do regime soviético. É neste contexto que lidera de forma decisiva a criação e organização do Exército Vermelho, que acaba por vencer a longa e violenta guerra civil (1918-20) contra o Exército Branco, garantindo a sobrevivência do regime soviético.


Comissário da Guerra - 1918: Formulação da política militar e primeiros sucessos

Contrariamente ao que a velha guarda bolchevique desejava, Trótski reorganizou o Exército Vermelho em torno do recrutamento compulsório de camponeses, enquadrados por oficiais do antigo Exército Imperial, os quais eram vigiados quanto às suas simpatias políticas por propagandistas e militantes bolcheviques ("comissários políticos") encarregados de validar as ordens militares dadas por estes oficiais, e garantir sua confiabilidade ("comando dual"). O Exército Vermelho foi assim constituído como uma organização hierarquizada e burocrática, que apoiava-se no uso de uma disciplina estrita que previa o uso liberal da pena de morte para atos de covardia e deserção, aplicável tanto aos ex-oficiais do Exército Imperial quanto aos comunistas. Como o próprio Trotsky explicou numa de suas proclamações: "Aviso que se qualquer unidade [militar] recuar sem ordens para tal, o primeiro a ser fuzilado será o comissário [político] da unidade, e depois o comandante.É o que prometo solenemente diante de todo o Exército Vermelho"

Tal atitude levou a constantes protestos de militantes bolcheviques, que prefeririam um Exército Vermelho organizado como uma milícia popular dirigida exclusivamente por comunistas e dotada de oficiais eleitos. Para Trótski- que nada tinha de militar profissional - no entanto, as necessidades de uma guerra moderna impunham a posse de conhecimentos técnicos especializados que poderiam ser encontrados apenas num corpo de militares de carreira, daí a necessidade absoluta do recurso a "especialistas burgueses". Leve-se em conta que, pelo uso de uma disciplina tida por muitos como "brutal", Trótski procurou impor a vigência do princípio meritocrático no Exército Vermelho: não teve qualquer hesitação em promover oficiais tzaristas competentes a postos de responsabilidade, nem hesitou tampouco em validar punições e mesmo fuzilamentos de militantes comunistas tidos como culpados de covardia.

Ajudou muito, aliás, na qualidade da sua liderança, que Trotsky, não obstante deixasse as decisões militares a cargo dos oficiais profissionais, houvesse passado boa parte da Guerra Civil deslocando-se para o fronte a bordo do seu lendário trem blindado - dotado de uma tipografia portátil, uma banda e outras facilidades - a partir do qual podia realizar a propaganda, monitorar as atividades militares, resolver diferendos burocráticos e logísticos, e eventualmente lançar mão dos seus talentos oratórios para elevar o moral da tropa.

Na situação militar desesperada do verão de 1918, com os bolcheviques reduzidos à posse da parte da Rússia europeia em torno de Moscou e Petrogrado (S.Petersburgo), com os alemães e austríacos ocupando a fronteira ocidental, os ingleses e franceses o Ártico russo, e as várias formações antibolcheviques, a Sibéria, Trótski recebeu carta branca do Partido para aplicar seus métodos. O primeiro grande sucesso militar do Comissário da Guerra seria a defesa da linha de frente dos Urais contra as tropas da Legião Checoslovaca - uma tropa de soldados checos emigrados mobilizados para a luta contra os austríacos ao lado do exército tzarista, que haviam sido instigados pela Entente franco-britânica e pela oposição russa a lutarem contra os bolcheviques - defesa esta que culminou na tomada de Kazan pelo Exército Vermelho em 10 de Setembro de 1918.

Após esta vitória,como prova da confiança do Partido na política militar de Trotsky, o Conselho Militar Supremo foi (temporariamente) extinto em favor do estabelecimento de um Comandante em Chefe do Exército Vermelho, o qual viria a ser o comandante do Regimento Vermelho de Fuzileiros Letões (a Letônia tendo sido uma das regiões de fronteira do Império Russo onde o bolchevismo tinha encontrado mais seguidores) Ioakim Vatsetis (ou Jukums Vacietis), homem de confiança do Comissário da Guerra.A medida que a situação militar da Rússia Soviética se tornava menos crítica, no entanto, a oposição ao Comissário da Guerra, paradoxalmente, recrudescia. Logo após a vitória no fronte dos Urais, Vatsetis propõs que uma estratégia puramente defensiva deveria ser seguida no fronte siberiano - onde a Legião Checoslovaca havia sido substituída pelas tropas do almirante branco Kolchak - de forma a poupar tropas para operações no fronte ucraniano, onde as tropas brancas do general Denikin estavam na ofensiva. Esta proposta foi rejeitada pelo Comitê Central bolchevique, e como o avanço no fronte oriental acabou por provar-se bem sucedido - contra as expectativas de Trotsky e Vatsetis - este acabou por ser demitido da posição de Comandante em Chefe, que foi dada ao general Serguei Kamenev (nenhum parentesco com o cunhado de Trotsky).

Por trás de todas estas querelas, estava a defesa de Trótski do Exército Vermelho como organização não partidária, que fez com que ele tivesse, desde muito cedo, de defrontar-se com uma cabala no interior do Partido, dirigida por Stalin - que, entre Maio e Outubro de 1918, estava encarregado de organizar serviços de intendência no fronte de Tsartsin - a futuraStalingrado - e havia tornado-se o governante informal da região do Baixo Volga, onde instalara um reinado de terror dirigido contra as antigas classes dirigentes e especialmente contra os antigos oficiais do Exército Imperial, fuzilados sob qualquer pretexto. Stalin e seu futuro Ministro da Defesa, Kliment Voroshilov, levaram sua oposição à Trótski ao ponto de recusarem subordinar-se ao ex-general tzarista Andrei Snesarev, nomeado por Trótski para dirigir as operações militares na região. Ao criticar a política de Trótski como hostil aos "velhos bolcheviques", Stalin conseguiu uma primeira base de apoio na burocracia do Partido que lhe seria muito útil na luta posterior pelo poder.

Em outubro de 1918, quando a ameaça dos exércitos brancos na frente dos Urais tinha desaparecido, no entanto, Trótski voltou sua atenção para a Frente Sul e acabou por impor-se a Stalin, recebendo o apoio de Lenin, que, no entanto, ciente da necessidade de não diminuir Stalin diante de seus camaradas de Partido, organizou sua remoção honrosa para Moscoue encarregou o então Secretário Geral do Partido, Sverdlov, de organizar um encontro de reconciliação entre os dois antagonistas, o qual, no entanto, falhou: Trotsky respondeu a Stalin, quando este pediu-lhe para que não perseguisse seus "rapazes", que a revolução não tinha tempo para esperar que os "rapazes" crescesse

1919: Crise e restauração de prestígio

Continuamente importunado pela oposição da velha guarda bolchevique, comandada por Stalin, às suas políticas, Trótski chegou, em julho de 1919, a oferecer sua renúncia ao cargo de Comissário da Guerra ao órgão do Comitê Central do Partido responsável pelas nomeações para cargos administrativos, o Orgburo, de forma a obrigar a cúpula do Partido a expressar abertamente seu desacordo consigo ou apoiá-lo. Que a segunda opção tenha sido a escolhida deveu-se antes de tudo a Lenin, que, muito embora encontrasse dificuldades em conciliar os atritos criados por Trótski, pelo seu comportamento arrogante, com o restante dos líderes do Partido, continuou em última instância a apoiar sua política militar, chegando mesmo a, num dado momento em 1919, entregar-lhe um papel timbrado com sua assinatura que Trótski poderia utilizar para validar qualquer ordem sua.

No entanto, Trótski continuaria tendo suas políticas contestadas surdamente pelo Partido durante todo o início de 1919, especialmente pela estratégia tímida que havia proposto para o fronte siberiano (onde as tropas vermelhas continuavam a ter sucessos contra o Almirante Kolchak), assim como pela sua incapacidade de resolver a situação militar no fronte ucraniano, onde as tropas brancas do general Anton Denikin tinham sua base. No entanto, uma mudança de situação acabaria por restabelecer o seu prestígio.

Stalin e Serguei Kamenev propunham que a estratégia para lidar com a situação na Ucrânia deveria incluir um assalto à retaguarda de Denikin na região caucasiana do Kuban, onde havia uma concentração de aldeias de cossacos aliados dos Brancos. Trótski, por sua vez, alegava que tal estratégia nada mais faria do que soldar a aliança entre as forças cossacas e os Brancos, e que a situação deveria ser resolvida por um ataque na direção do Leste da Ucrânia, onde a concentração de indústrias atrairia o apoio dos operários ao Exército Vermelho; os cossacos - que lutavam em defesa de suas terras - deixados a si mesmos, acabariam por ficar neutros. E, efetivamente, a execução do plano de Stalin apenas reforçou o Exército Branco, que, em setembro de 1919, tomou Orel e avançou para o Norte, na direção de Moscou e do centro de produção de munições de Tula, ameaçando a própria existência do regime soviético.Ao final, seria o plano de Trótski que acabaria sendo adotado: em Outubro de 1919, dois ataques de flanco lançados contra o Exército Branco o separaram da cavalaria cossaca, forçando Denikin a recuar para a Ucrânia, de onde o Exército Branco, completamente desmoralizado, e sem contar mais com os subsídios do governo britânico, recuaria para a Criméia.

No entanto, os responsáveis pela defesa da Frente Sul jamais admitiram abertamente o seu débito para Trótski, o qual, inclusive, antes da ofensiva final, enviou ao Comitê Central do Partido uma carta defendendo sua estratégia e eximido-se de responsabilidade pelos erros anteriores do comando do Exército Vermelho na Ucrânia - uma reação que Lenin classificaria numa anotação à margem da carta de Trótski como produto de "nervosismo".O que reabilitaria decisivamente a reputação de Trótski seria a sua eficiente defesa de Petrogrado contra as tropas do General brancoYudenich, que atacaria a antiga capital também em outubro de 1919, tentando solapar a moral do Exército Vermelho pela tomada do berço da revolução. Opondo-se às objeções de Lenin - que a princípio pensara em abandonar Petrogrado para concentrar-se na defesa da Frente Sul - Trótski comandou a defesa pessoaoisaoilmente, chegando a cavalgar em direção às linhas inimigas sozinho para animar tropas em fuga. Esta vitória decisiva elevaria o Comissário da Guerra ao auge do seu prestígio - o qual foi imediatamente seguido pelo seu declínio.

Após a derrota de Denikin e Yudenich, o Exército Branco estava reduzido a um remanescente entrincheirado na Crimeia, sob o comando do Barão Wrangel, remanescente este que poderia ser liquidado facilmente pelo Exército Vermelho, quando o ditador nacionalista da Polônia, Pilsudiski, resolveu aproveitar-se do vácuo de poder na Ucrânia onde a autoridade dos bolcheviques encontrava dificuldade para afirmar-se diante da atividade dos nacionalistas ucranianos e dos bandos anarquistas comandados por Nestor Makhno - para intentar restaurar o antigo império polonês nesta região, avançando para o leste com seu exército e tomando Kiev em 7 de maio de 1920. A reação nacionalista que este ataque provocou na Rússia determinou que o contra-ataque do Exército Vermelho fosse extremamente bem sucedido, limpando a Ucrânia e a Bielorrússia ocidentais de tropas polonesas. Para Trótski, a contraofensiva deveria limitar-se a esta restauração do poder soviético nas repúblicas não-russas da fronteira ocidental, mas Lenin viu na situação a oportunidade de instalar um regime socialista na Polônia que servisse de elo de ligação entre a Rússia soviética e a Alemanha, onde as forças de Esquerda poderiam recuperar-se da repressão do levante spartakista de 1919, e ordenou uma ofensiva na direção de Varsóvia, onde esperava um levantamento operário na retaguarda de Pilsudiski. Trótski, no entanto, considerava que os poloneses, recém-independentes, tenderiam a colocar a garantia de sua independência acima da transformação socialista, e a derrota do Exército Vermelho nos arredores de Varsóvia em agosto de 1920, se privou a Rússia soviética de uma fronteira comum com a Alemanha - para grande prejuízo do movimento comunista internacional - ao mesmo tempo aumentou o prestígio de Trótski, que havia considerado as expectativas de Lenin e dos bolcheviques como irreais e advertido contra o otimismo excessivo.A instâncias de Trótski, foi firmado um tratado de paz com a Polônia, o qual permitiu que o Exército Vermelho liquidasse o bastião Branco na Crimeia em Novembro de 1920, encerrando a Guerra Civil.


O Pós-Guerra Civil

A autossuficiência de Trótski, mesmo após a vitória dos Vermelhos na Guerra Civil, acabou por determinar que seu prestígio público sofresse abalos importantes: o primeiro, quando da repressão brutal das revoltas de Kronstadt e de Tambov, em que teve papel importante na adoção de uma política de repressão e de rejeição de qualquer compromisso com os rebeldes. Segundo, quando, após haver proposto um abandono do comunismo de guerra e um retorno parcial ao livre mercado, pela adoção do que viria a consistir na futura NEP, no início de1920, foi desautorizado por Lenin, propondo então, como uma alternativa, que "os métodos de guerra fossem aplicados sistematicamente",mediante um combate decidido ao desemprego decorrente da desmobilização e visando a rápida recuperação econômica da Rússia Soviética pela abolição total da independência, mesmo nominal, dos sindicatos e pela generalização do trabalho forçado através da formação de "exércitos do trabalho" que mobilizariam forçosamente trabalhadores ociosos. Somando-se à desconfiança dos veteranos bolcheviques por sua adesão tardia ao Partido, estas posições lhe darão uma fama de bonapartista e ditador militar potencial, e em muito enfraquecerão sua posição diante de Stalin; Lenin, no seu Testamento Político, falará de Trótski como "o homem mais capaz do presente Comitê Central", mas deplorará suas tendências autoritárias (nas palavras de Lenin, "sua tendência a abordar as questões apenas pelo lado administrativo").

Derrota diante de Stalin

Desde 1920, Lênin receia crescentemente a burocratização do Partido e do Estado. A sua morte, em 1924, gera um vazio de poder que acirra a disputa interna entre o setor burocratizado e o setor em defesa de uma maior sovietização do regime. O primeiro, simbolizado por Stálin, acaba por vencer, assumindo a direção quase total do partido. Nesse momento, Trótski não quis ou não pôde opor-se ativamente a Stalin, mantendo-se discreto no 12º Congresso do Partido em 1923 (nomeadamente na polêmica questão do testamento secreto de Lenin, que condenava um Stalin demasiado poderoso e apelava diretamente à sua destituição) onde acaba por perder o poder para um triunvirato , também chamado deTroika, constituído por Stalin, Lev Kamenev e Grigori Zinoviev, que posteriormente Stalin dissolveria com purgas aos seus próprios camaradas, até concentrar em si todo o poder. Trótski e seus apoiantes organizam-se na Oposição de Esquerda, facção que nos anos seguintes luta no interior do partido contra Stalin.

Havia, no entanto, uma assimetria fundamental nesta luta faccionária: a Oposição de Esquerda, por mais bem implantada que estivesse no interior da militância comum do Partido, não tinha qualquer poder no interior das instâncias decisórias de um Partido Bolchevique já totalmente burocratizado. Trótski, pela sua entrada tardia no Partido e por não ter assumido responsabilidade por nomeações burocráticas como Stalin, não possuía capacidade de alavancar suas posições pelo exercício do clientelismo. Mas ainda, desde o seu Décimo Congresso,em 1920, o Partido Bolchevique havia adotado - com o apoio de Trótski, diga-se de passagem - um novo regimento administrativo que proibia a existência de facções permanentemente organizadas no partido, o que tornava possível a qualquer contestação à liderança do Partido ser caracterizada como "faccionária". Resumindo, o prestígio pessoal de Trotsky era inteiramente desproporcional aos recursos políticos concretos que ele poderia mobilizar no interior de um Partido à cuja vida interna ele era estranho. Daí, em grande parte, a inação de Trotsky diante da ascensão de Stalin; na ausência de Lenin - que até então havia sempre abonado suas políticas em momentos decisivos - Trotsky escolheu não desafiar o conclave bolchevique, sabendo que suas chances de vitória eram reduzidas.

Durante a preparação pelo Comintern de um levante revolucionário na Alemanha em finais de 1923- com Lenin ainda vivo mas incapacitado - Trótski já havia solicitado ao Partido permissão para atender um convite feito pelo líder comunista alemão Heinrich Brandler e dirigir o levante projetado in loco como combatente revolucionário internacional - um projeto que de certa forma antecipava a aventura boliviana de Che Guevara. A permissão foi, no entanto, negada, pois Stalin temia que, se Trótski caísse prisioneiro ou morto, o embaraço que tal provocaria ao governo soviético, e temia mais ainda a possibilidade de que ele retornasse da Alemanha vitorioso, caso em que o aumento de seu poder e influência seria irresistível. O levante alemão, mal preparado e executado, foi um fracasso, e fortaleceu a tendência stalinista de abandonar a revolução socialista internacional pelo "socialismo num só país".

No decorrer das lutas confusas que se seguiriam, Trótski buscou uma consolação - assim como um aumento da sua influência - pela concentração no trabalho teórico e intelectual. Trótski já havia, durante a Revolução de 1905, formulado a Teoria da Revolução Permanente- a proposição de que a revolução liberal-burguesa, nas condições de um país capitalista atrasado como a Rússia não se deteria na constituição de uma república democrática, mas avançaria para a revolução socialista, num processo sem solução de continuidade - contrariamente ao entendimento evolucionista do marxismo predominante à época, segundo o qual a revolução socialista seria um produto do esgotamento prévio das possibilidades de desenvolvimento capitalista nacional. Após a Revolução de 1917, passou a defender também que a revolução socialista era um processo mundial e que a Revolução Russa necessitaria continuar a desenrolar-se numa arena mundial, no âmbito de uma perspectiva internacionalista que contrastava claramente com a política estalinista do "socialismo num só país". Defendeu a rápida industrialização da economia e o abandono da NEP (Nova Política Econômica) de Lenin, quando Stalin e o teórico Bukharin defendiam a industrialização gradual e a manutenção daquela política.

A dissidência no interior do Partido vem a público quando Trótski publica, em 1924, um prefácio à edição dos seus escritos de 1917, As Lições de Outubro, criticando a falta de estratégia revolucionária de Stalin e da Direção do Comintern na direção do levante alemão de 1923, e compara suas atitudes com a indecisão demonstrada por Kamenev e Zinoviev às vésperas da Revolução de Outubro. Estas discordâncias abertas afastam politicamente Trótski de Stalin, culminando na sua expulsão do partido a 12 de novembro de 1927, o exílio emAlma Ata (hoje Altana), na então República Socialista Soviética do Cazaquistão, a 31 de janeiro de 1928, e finalmente a expulsão da União Soviética em 1929. Ainda em julho desse ano, começa a publicar um boletim mensal da oposição, que continuaria a ser publicado e contrabandeado para o território soviético durante todo o seu exílio .

Ironicamente, afastado Trótski, Stalin vira-se contra Bukharin e acaba por apropriar-se de muitos dos preceitos da política econômica enunciados por Trótski, implementando-a, todavia, de uma forma criticada por uma grande maioria, como exageradamente violenta e autoritária. Tal "virada à Esquerda" de Stalin, no entanto, fez muito para privar a Oposição de Esquerda de grande parte dos seus partidários na URSS, que acabam por aderir a Stalin, que consideram estar realizando na prática o programa da oposição, nomeadamente o economistaIevguêni Preobrajenski e o antigo chefe de governo da Ucrânia soviética e amigo pessoal de Trótski desde a época de sua estadia nos Bálcãs, o socialista romeno de etnia búlgaraChristian Rakovski - que, juntamente com a imensa maioria dos antigos trotskistas, haveriam de perecer nas Grandes Purgas dos anos 1930.

Após a deportação, Trótski passou pela Turquia, França (Julho de 1933 a Junho de 1935) eNoruega (Junho de 1935 a Setembro de 1936), fixando-se finalmente no México, a convite do pintor Diego Rivera, vivendo temporariamente em casa deste e mais tarde em casa da esposa de Rivera, a pintora Frida Kahlo. A medida que aumenta a repressão stalinista, multiplicam-se os lutos familiares. Além da morte dos seus quatro filhos, os genros, noras, netos, e outros parentes próximos de Trotsky são igualmente vítimas da repressão por sua ligação com um "inimigo do povo" e desaparecem nos sucessivos expurgos da década de 1930, com exceção do único filho que Zina pôde levar consigo ao exterior, e que acabou por reunir-se ao avô no México, após complicadas negociações com a mulher francesa de Leon Sedov - que havia se responsabilizado pelo sobrinho até a sua própria morte num hospital parisiense.

No seu crescente isolamento pessoal e político, Trotsky, a partir desta altura, aumenta consideravelmente a sua produção escrita, escrevendo importantes obras como sua autobiografia, Minha Vida (1930), a História da Revolução Russa em 2 vols., 1930 e 1932), A Revolução Permanente (1930) e A Revolução Traída (1936), uma crítica violenta ao Estalinismo. Apoiando-se sobre um panfleto de Rakovski, Os Perigos profissionais do poder, Trótski considerava em A Revolução Traída que a União Soviética se tornara num Estado de trabalhadores degenerado, controlado por uma burocracia não-democrática - derivada, no entanto, da própria classe operária (em um processo descrito comoDegenerescência Burocrática) e que teria eventualmente de ser derrubada por uma 2ª revolução política que restaurasse o caráter democrático da revolução socialista, ou, então, degenerar ao ponto de regressar ao capitalismo.

Túmulo de Leon Trótski em Coyoacán, bairro da cidade do México, no jardim da casa onde morou durante seus últimos anos de vida.

Trotsky rejeitou as teses ultraesquerdistas de certos opositores bolcheviques do estalinismo (notadamente os "Centralistas Democráticos" liderados por Sapronov), que consideravam que o stalinismo era uma restauração do capitalismo, algo similar à restauração da monarquia francesa pelos Bourbons em 1815. Através desta mesma analogia com a Revolução Francesa, Trotsky considerou que o regime de Stalin era um Termidor soviético, no sentido de que, assim como o 9 Termidor francês havia derrubado o radicalismo pequeno-burguês de Robespierre,Saint-Just e dos jacobinos, mas preservado o caráter burguês da sociedade francesa, do mesmo modo o estalinismo havia eliminado todos os elementos internacionalistas e de democracia proletária do regime soviético, mas não havia, de momento, abolido o caráter socialista da economia e das relações sociais na Rússia. Considerando a URSS estalinista, assim, como presa num estágio de transição entre o capitalismo e o socialismo, e não considerando que ela houvesse se convertido num capitalismo de Estado, Trótski opôs-se, no início da Segunda Guerra Mundial, àqueles entre seus seguidores - especialmente fortes no partido trotskista americano, o Socialist Workers' Party(SWP), mas também figuras isoladas como o brasileiro Mário Pedrosa que propunham retirar apoio à URSS em caso de ataque externo. Para Trótski, a defesa das aquisições da Revolução de Outubro exigia o respeito mais estrito à consigna de "defesa incondicional da União Soviética". Muito embora opusesse-se ao Pacto Molotov-Ribbentrop, que considerava desmoralizante para o movimento operário, orientou seus partidários para que apoiassem a expropriação dos latifúndios e das fábricas realizadas por Stalin no leste da Polônia e nos Países Bálticos quando da sua incorporação forçada na URSS.

A 3 de Setembro de 1938, numa reunião com 25 delegados de 11 países, Trótski e seus seguidores fundam a Quarta Internacional, como alternativa à Terceira Internacional estalinista. Trótski tinha entrado entretanto em conflito com Diego Rivera - numa disputa que tinha tanto a ver com as pretensões políticas de Rivera no movimento trotskista, que Trótski desfavorecia, quanto com a breve ligação de Trótski com Frida Kahlo - e mudara-se em 1939 para uma casa própria no bairro de Coyoacán, na Cidade do México. A 24 de Maio de 1940 sobrevive a um ataque à sua casa por assassinos alegadamente a mando de Stalin. Não sobreviverá, no entanto, ao segundo ataque de Stalin: a 20 de Agosto de 1940, o agente Ramón Mercader consegue sob disfarce entrar pacificamente na sua sala para um encontro, e, aproveitando um momento de distracção, aplica com uma picareta um golpe fatal no seu crânio. Ao ouvir o ruído, os guarda-costas de Trótski precipitam-se para a sala e quase matam Mercader, mas Trótski detém-nos, exclamando "Não o matem! Esse homem tem uma história para contar!". Faleceu no dia seguinte.

Mercader testemunhou posteriormente no seu julgamento: "Pousei o casaco impermeável na mesa de forma a poder tirar a picareta que estava no bolso. Decidi não perder a grande oportunidade que surgiu. No momento em que Trótski começou a ler o artigo, deu-me a minha oportunidade; tirei a picareta do casaco, segurei-a firme na mão e, de olhos fechados, dei-lhe um golpe terrível na cabeça".

A casa de Trótski em Coyocán, preservada no mesmo estado em que se encontrava naquele dia, é hoje um museu, em cujos terrenos se encontra ainda o cenotáfio de Trótski, com a foice e o martelo talhados sobre seu nome.

Trótski nunca foi formalmente reabilitado pelo governo soviético, seja durante a "desestalinização" de Khrushchov, seja durante a "Glasnost" de Mikhail Gorbatchov, apesar da reabilitação, durante estes dois episódios, da maioria da velha guarda bolchevique morta durante os grandes expurgos de Stalin. Dos descendentes de Trótski, o único que pôde preservar sua conexão com a família seria o seu neto, o engenheir Esteban Volkov, filho de Zina, que seria criado por Natalia Sedova no México e muito faria pela preservação da memória do avô pela manutenção da sua casa de Coyoacán como um museu privado, depois apropriado pelo governo mexicano. Na década de 1990, Volkov viajaria à Rússia para encontrar-se, após sessenta anos de separação,com uma irmã recém-localizada, doente terminal de câncer, com a qual teve de conversar através de um intérprete, para explicar-lhe que a decisão de deixá-la na URSS havia sido imposta à sua mãe por Stalin.

A morte de Trotsky na imprensa

Um dos secretários de Trotsky, Joseph Hansen, entregou à Imprensa um relato sobre o assassinato do líder comunista:

"Trotsky conhecia pessoalmente seu assassino, Frank Jackson (na verdade, Ramón Mercarder), há mais de seis meses, e tinha confiança nele devido às suas relações com o movimento trotskista na França e nos Estados Unidos. Ele nos visitava com freqüência e em momento algum tivemos motivos para desconfiar que ele fosse agente da GPU".

Segundo Hansen, Jackson chegou à casa de Trotsky às 5h30 da tarde do dia 20 de agosto, dizendo-lhe que havia escrito um artigo, sobre o qual gostaria de sua opinião. Trotsky concordou e ambos se encaminharam para a sala de jantar, onde estava a sra. Trotsky. "Alegando estar com a garganta seca, Jackson pediu um copo de água. A sra. Trotsky ofereceu-lhe chá. Ele agradeceu mas preferiu a água. Então, Trotsky convidou-o a passarem para o seu escritório".

O primeiro indício de que algo de anormal acontecera foi o som de gritos lancinantes e de uma luta violenta. A princípio os secretários e guarda-costas julgaram que havia acontecido algum acidente, mas, ao ingressarem no escritório, encontraram Trotsky com o rosto banhado em sangue. Um dos guarda-costas correu para socorrê-lo, enquanto o outro atracava-se com o assassino, que empunhava um revólver.

"Provavelmente o assassino atacou-o por trás, utilizando uma picareta cuja ponta penetrou-lhe o cérebro. Mas em vez de cair inconsciente, como o assassino planejara, Trotsky agarrou-se a ele".

Enquanto jazia, sangrando, no chão, Trotsky disse a Hansen: "Jackson baleou-me com um revólver. Acho que, dessa vez, é o fim". Hansen tentou animá-lo, dizendo que o ferimento era superficial e que não podia ter sido causado por um tiro, já que ninguém tinha ouvido o estampido. "Não, sinto aqui que desta vez eles conseguiram" - disse Trotsky, apontando para o coração.Trotsky lutou pela vida durante 24 horas, vindo a falecer às 7h25 da noite de 21 de agosto.

Fonte: Enciclopédia Livre

Hitler discursando

Hitler - Primeiro discurso como chanceler

HITLER - Biografia


Adolf Hitler (Braunau am Inn, 20 de abril de 1889 — Berlim, 30 de abril de 1945) foi o líder do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP), também conhecido por Nazi, uma abreviatura do nome em alemão (Nationalsozialistische), sendo ainda oposição aos sociais-democratas, os Sozi. Hitler se tornou chanceler e, posteriormente, ditador alemão. Era filho de um funcionário de alfândega de uma pequena cidade fronteiriça da Áustria com a Alemanha.

As suas teses racistas e anti-semitas, assim como os seus objectivos para a Alemanha ficaram patentes no seu livro de 1924, Mein Kampf (Minha luta). Documentos apresentados durante o Julgamento de Nuremberg indicam que, no período em que Adolf Hitler esteve no poder, grupos minoritários considerados indesejados - tais como Testemunhas de Jeová, eslavos, poloneses, ciganos, homossexuais, deficientes físicos e mentais, e judeus - foram perseguidos no que se tornou conhecido como Holocausto.A maioria dos historiadores admite que a maior parte dos perseguidos foi submetida a Solução Final, enquanto certos seres humanos foram usados em experimentos médicos ou militares.No período de 1939 a 1945, Hitler liderou a Alemanha enquanto envolvida no maior conflito do Século XX, a Segunda Guerra Mundial. A Alemanha, juntamente com a Itália e com o Japão, formavam o Eixo. O Eixo seria derrotado apenas pela intervenção externa do grupo de países que se denominavam os "Aliados". Tal grupo fez-se notável por ter sido constituído pelos principais representantes dos sistemas capitalista e socialista, entre os quais a URSS e os EUA, união esta que se converteu em oposição no período pós-guerra, conhecido como a Guerra Fria. A Segunda Guerra Mundial acarretou a morte de um total estimado em 50 a 60 milhões de pessoas.
Hitler sobreviveu sem ferimentos graves a 42 atentados contra sua vida.Devido a isso, ao que tudo indica, Hitler teria chegado a acreditar que a "Providência" estava intervindo a seu favor. A última tentativa de assassiná-lo foi em 20 de julho de 1944, onde uma bomba inglesa explodiu a apenas dois metros do Führer. O atentado foi liderado e executado por von Stauffenberg, coronel alemão condenado à morte por fuzilamento. Tal atentado não o impediu de, menos de uma hora depois, se encontrar em perfeitas condições físicas com o ditador fascista italiano Benito Mussolini.
Adolf Hitler cometeu suicídio no seu quartel-general (o Führerbunker), em Berlim, a 30 de abril de 1945, enquanto o exército soviético combatia já as duas tropas que defendiam o Führerbunker (a francesa Charlemagne e a norueguesa Nordland). Segundo testemunhas, Adolf Hitler já teria admitido que havia perdido a guerra desde o dia 22 de abril, e desde já passavam por sua cabeça os pensamentos suicidas.

Adolf Hitler morava numa pequena localidade perto de Linz, na província da Alta-Áustria, próximo da fronteira alemã, e que à época era parte do Império Austro-Húngaro. O seu pai, Alois Hitler (1837-1903), que nascera como filho ilegítimo, era funcionário da alfândega. Até aos seus quarenta anos, o pai de Hitler, Alois, usou o sobrenome da sua mãe, Schicklgruber. Em 1876, passou a empregar o nome do seu pai adotivo, Johann Georg Hiedler, cujo nome terá sido alterado para "Hitler" por erro de um escrivão, depois de ter feito diligências junto de um sacerdote responsável pelos registros de nascimento para que fosse declarada a paternidade, já depois da morte do seu padrasto. Adolf Hitler chegou a ser acusado, depois, por inimigos políticos, de não ser um Hitler mas sim um Schicklgruber. A própria propaganda dos aliados fez uso desta acusação ao lançar vários panfletos sobre diversas cidades alemãs com a frase "Heil Schicklgruber" - ainda que estivesse relacionado, de fato, aos Hiedler por parte da sua mãe.

A mãe de Hitler, Klara Hitler (o nome de solteira era Klara Polzl), era prima em segundo grau do seu pai. Este trouxera-a para sua casa para tomar conta dos seus filhos, enquanto a sua outra mulher, doente e prestes a morrer, era cuidada por outra pessoa. Depois da morte desta, Alois casou-se, pela terceira vez, com Klara, depois de ter esperado meses por uma permissão especial da Igreja Católica, concedida exatamente quando Klara já se mostrava visivelmente grávida. No total, Klara teve seis filhos de Alois. No en
tanto, apenas Adolf, o quarto, e sua irmã mais nova, Paula, sobreviveram à infância.

Adolf era um rapaz inteligente, porém, mal-humorado. Por ser desde cedo boêmio, foi reprovado por duas vezes no exame de admissão à escola secundária de Linz. Ali, começou a acalentar ideias pangermânicas, fortalecidas pelas leituras que o seu professor, Leopold Poetsch, um antissemita bastante admirado pelo jovem Hitler, lhe recomendou vivamente.

Hitler era devotado à sua complacente mãe e, presumivelmente, não gostava do pai, que apreciava a disciplina e o educava severamente, além de não compartilharem muitas ideias políticas. Em "Mein Kampf", Hitler é respeitoso para com a figura de seu pai, mas não deixa de referir discussões irreconciliáveis que teve com ele acerca da sua firme decisão em se tornar artista. De fato, interessou-se por pintura e arquitetura. O pai opunha-se firmemente a tais planos, preferindo que o filho fizesse carreira na função pública. Em Janeiro de 1903 morreu Alois Hitler, vítima de apoplexia. Em Dezembro de 1907 morreu Klara, de cancro, o que o teria afetado sensivelmente.

Com dezenove anos de idade Adolf era órfão e em breve partiu para Viena, onde tinha uma vaga esperança de se tornar um artista. Tinha, então, direito a um subsídio para órfãos, que acabaria por perder aos 21 anos, em 1910.

Em 1907 fez exames de admissão à academia das artes de Viena, sendo reprovado duas vezes seguidas. Nos anos seguintes permaneceu em Viena sem um emprego fixo, vivendo inicialmente do apoio financeiro de sua tia Johanna Pölzl, de quem recebeu herança. Chegou mesmo a pernoitar num asilo para mendigos na zona de Meidling no outono de 1909. Os outros mendigos deram-lhe a alcunha de "Ohm Krüger" (segundo o historiador Sebastian Haffner). Teve depois a idéia de copiar postais e pintar paisagens de Viena - uma ocupação com a qual conseguiu financiar o aluguel de um apartamento, na rua Meldemann. Pintava cenas copiadas de postais e vendia-as a mercadores, simplesmente para ganhar dinheiro, não considerando as suas pinturas uma forma de arte. Ao contrário do mito popular, fez uma boa vida como pintor, ganhando mais dinheiro do que se tivesse um emprego regular como empregado bancário ou professor do liceu, e tendo de trabalhar menos horas. Durante o seu tempo livre frequentava a ópera de Viena, especialmente para assistir a óperas relacionadas com a mitologia nórdica, de Richard Wagner, e cujas produções viria, mais tarde, a financiar, como meio de exaltação do nacionalismo germânico. Muito de seu tempo era dedicado à leitura.
Foi em Viena que Hitler começou a perfilar-se como um ativo anti-semita, particularidade que governaria a sua vida e que foi a chave das suas ações subsequentes. O anti-semitismo estava profundamente enraizado na cultura católica do sul da Alemanha e na Áustria, onde Hitler cresceu. Viena tinha uma larga comunidade judaica, incluindo muitos Judeus Ortodoxos da Europa de Leste.[2] Hitler tomou aí contato com os judeus ortodoxos, que, ao contrário dos judeus de Linz, distinguiam-se pelas suas vestes. Intrigado, procurou informar-se sobre os judeus através da leitura, tendo comprado em Viena os primeiros panfletos abertamente anti-semitas que leu na vida, como relata em Mein Kampf.

Em Viena, o anti-semitismo tinha-se desenvolvido das suas origens religiosas numa doutrina política, promovida por pessoas como Jörg Lanz von Liebenfels, cujos panfletos foram lidos por Hitler; políticos como Karl Lueger, o presidente da câmara de Viena, e Georg Ritter von Schönerer, fundador do partido Pan-Germânico. Deles, Hitler adquiriu a crença na superioridade da "Raça Ariana" que formava a base das suas visões políticas e na inimizade natural dos judeus em relação aos "arianos", responsabilizando-os pelos problemas económicos alemães. Como Hitler relata em Mein Kampf, foi também em Viena que tomou contato com a doutrina marxista, tendo "aprendido a lidar com a dialética deles", na discussão com marxistas, "incorporando-a para os meus fins".


Munique, a Primeira Guerra Mundial

Em Maio de 1913, recebeu uma pequena herança do seu pai e mudou-se para Munique. Como escreveria mais tarde em Mein Kampf, sempre desejara viver numa cidade alemã, talvez de acordo com o seu desejo de se afastar do império multiétnico Austro-Húngaro e viver num país "racialmente" mais homogéneo. Em Munique interessou-se especialmente por arquitetura e pelos escritos de Houston Stewart Chamberlain.
Ao mudar-se, fugia também ao serviço militar no exército Austro-Húngaro, que o capturou pouco depois e o submeteu a um exame físico (pelo qual ficamos a saber que mediria 1,73 m). Foi considerado inapto para o serviço militar e permitiram-lhe que regressasse a Munique, onde prosseguiu a sua atividade de pintor, vendendo por vezes os seus quadros pela rua.
Mas em Agosto de 1914, quando a Alemanha entrou na Primeira Guerra Mundial, alistou-se imediatamente no exército bávaro. Serviu na França e Bélgica como mensageiro, uma posição muito perigosa, que envolvia exposição a fogo inimigo, em vez da proteção proporcionada por uma trincheira. A folha de serviço de Hitler foi exemplar mas nunca foi promovido além de cabo, por razões que se desconhecem, o que seria considerado mais uma humilhação na sua vida. O seu cargo, num lugar baixo da hierarquia militar, refletia a sua posição na sociedade quando entrou para o exército. Não estava autorizado a comandar qualquer agrupamento de soldados, por menor que fosse. Foi condecorado duas vezes por coragem em ação. A primeira medalha que recebeu foi a Cruz de Ferro de Segunda Classe em Dezembro de 1914. Depois, em Agosto de 1918, recebeu a Cruz de Ferro de Primeira Classe, uma distinção raramente atribuída a não oficiais, até porque Hitler não podia ascender a uma graduação superior, já que não era cidadão alemão. Em Outubro de 1916, no norte de França, Hitler foi ferido numa perna, mas regressou à frente em Março de 1917. Recebeu a Das Verwundetenabzeichen (condecoração por ferimentos de guerra) nesse mesmo ano, já que a ferida era resultado direto da exposição ao fogo inimigo.

Durante a guerra, Hitler desenvolveu um patriotismo alemão apaixonado, apesar de não ser cidadão alemão: um detalhe que não retificaria antes de 1932. Ficou chocado pela capitulação da Alemanha em Novembro de 1918, sustentando a idéia de que o exército alemão não tinha sido, de fato, derrotado. Como muitos nacionalistas alemães, culpou os políticos civis (os "criminosos de Novembro") pela capitulação. Após a Primeira Guerra Mundial, Hitler permaneceu no exército, agora ativo na supressão de revoltas socialistas que surgiam pela Alemanha, incluindo Munique, para onde Hitler regressou em 1919.

Recebendo um salário baixo, Hitler continuou ligado ao exército. Fez parte dos cursos de "pensamento nacional" organizados pelos departamentos da Educação e propaganda (Dept Ib/P) do grupo da Reichswehr da Baviera, Quartel-general número 4 sob o comando do capitão Mayr. Um dos principais objetivos deste grupo foi o de criar um bode expiatório para os resultados da Guerra e a derrota da Alemanha. Este bode expiatório foi encontrado no "judaísmo internacional", nos comunistas, e nos políticos de todos os setores.

Para Hitler, que tinha vivido os horrores da guerra, a questão da culpa era essencial. Já influenciado pela ideologia anti-semita, acreditava avidamente na responsabilidade dos judeus, tornando-se em breve num divulgador eficiente da propaganda concebida por Mayr e seus superiores. Em Julho de 1919, Hitler, devido à sua inteligência e dotes oratórios, foi nomeado líder e elemento de ligação (V-Mann) do "comando de esclarecimento" com o objetivo de influenciar outros soldados com as mesmas idéias.

Foi, então, designado pelo quartel-general para se infiltrar num pequeno partido nacionalista, o Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP). Hitler aderiu ao partido recebendo o número de membro 555 (a numeração começara em 500, por orientação de Hitler, para dar a impressão de que o partido tinha uma dimensão maior do que a verdadeira), em Setembro de 1919. Foi aqui que Hitler conheceu entre outros, Dietrich Eckart, um anti-semita e um dos primeiros membros do partido.Tornou-se rapidamente chefe do partido.

No mesmo mês (Setembro de 1919), Hitler escreveu aquele que é geralmente tido como o seu primeiro texto anti-semita, um "relatório sobre o Anti-Semitismo" requerido por Mayr para Adolf Gemlich, que participara nos mesmos "cursos educacionais" em que Hitler havia participado. Neste relatório ao seu superior, Hitler fez a apologia de um "Anti-semitismo racional" que não recorreria aos pogroms, mas que "lutaria de forma legal para remover os privilégios gozados pelos judeus em relação a outros estrangeiros vivendo entre nós. O seu objetivo final, no entanto, deverá ser a remoção irrevogável dos próprios judeus".

Hitler não seria liberado do exército antes de 1920.A partir dessa data, começou a participar plenamente nas atividades do partido. Em breve se tornaria líder do partido e mudou o seu nome para Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei - NSDAP (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães), normalmente conhecido como partido Nazi, ou Nazista, que vem das palavras "National Sozialistische", em contraste com os Sozi, um termo usado para descrever os sociais democratas. O partido adoptou a suástica (supostamente um símbolo do "Arianismo") e a saudação romana, também usada pelos fascistas italianos.

Serviu-se, depois, do apoio da Sturmabteilung (SA), uma milícia paramilitar de homens identificados com camisas castanhas, que vagueavam pelas ruas atacando esquerdistas e minorias religiosas e gritando slogans de propaganda, que criou em 1921, para aparentar um ambiente de apoio popular. Por volta de 1923 conheceu Julius Streicher, o editor de um jornal violentamente anti-semita chamado Der Stürmer, que apoiaria a sua propaganda de promoção pessoal e de ódio anti-semita.

O partido Nazi era nesta altura constituído por um pequeno número de extremistas de Munique. Mas Hitler, em breve, descobriu que tinha dois talentos: o da oratória pública e o de inspirar lealdade pessoal. A sua oratória de esquina, atacando os judeus, os socialistas e os liberais, os capitalistas e os comunistas, começou a atrair simpatizantes. Alguns dos seguidores desde o início foram Rudolf Hess, Hermann Göring, e Ernst Röhm, o líder da SA. Outro admirador foi o marechal de campo Erich Ludendorff.

O putsch da Cervejaria
O Putsch da Cervejaria foi uma malfadada tentativa de golpe de Adolf Hitler e seu Partido Nazista contra o governo da região alemã da Baviera, ocorrida em 9 de novembro de 1923. O objetivo do partido era tomar as rédeas do governo bávaro para, em seguida, tentar abocanhar o poder em todo o país. Mas a tresloucada ação foi rapidamente controlada pela polícia bávara, sendo que Hitler e vários correligionários – entre eles Rudolf Hess – acabaram presos.


"Mein Kampf"

Hitler usou o seu julgamento como uma oportunidade de espalhar a sua mensagem por toda a Alemanha. Em Abril de 1924, Hitler foi condenado a 5 anos de prisão no estabelecimento prisional de Landsberg. Acabaria o Führer por ser anistiado passados pouco mais de 6 meses. Ali, ele ditou o primeiro volume do livro chamado "Mein Kampf" (Minha Luta), primeiramente a Emil Maurice, e posteriormente ao seu fiel ajudante Rudolf Hess. O livro é essencialmente biográfico, e recebe o nome de Eine Abrechnung.

A escrita foi editada somente em 1925. O segundo volume do Mein Kampf, Die Nationalsozialistische Bewegung, foi escrito em 1926, quando já fora da prisão estava Hitler. O segundo volume, diferentemente do primeiro, busca expressar as idéias Nacional-Socialistas, e não há contidos no livro quaisquer estudos biográficos profundos.
Ler o Mein Kampf é como ouvir Hitler falar longamente sobre a sua juventude, os primeiros dias do partido nazi, planos futuros para a Alemanha e idéia sobre política e raça. A compilação dos dois volumes recebeu primeiramente o nome de "Viereinhalb Jahre [des Kampfes] gegen Lüge, Dummheit und Feigheit" ("Quatro anos e meio [de luta] contra mentiras, estupidez e covardia"), mas foi alterado para simplesmente "Mein Kampf" antes mesmo de ser publicado.

Na sua escrita, Hitler anunciou sua aversão contra aquilo que ele via como os dois males gêmeos do mundo: Comunismo e Judaísmo, e declarou que o seu objetivo era erradicar ambos da face da terra. Ele anunciou que a Alemanha necessitava obter novo terreno, que chamou de "Lebensraum" (espaço vital), e que iria nutrir apropriadamente o "destino histórico" do povo alemão.

Uma vez que Hitler culpava o presente governo parlamentar por muitos dos males pelos quais ele se encolerizava, ele anunciou que iria destruir completamente esse tipo de governo. É em Mein Kampf que se pode descobrir a verdadeira natureza do caráter de Hitler. Ele divide os humanos com base em atributos físicos e psicológicos. Hitler afirma que os "arianos" estavam no topo da hierarquia, e confere o fundo da pirâmide aos judeus, polacos, russos, checos e ciganos. Segundo ele, aqueles povos beneficiam pela aprendizagem com os superiores arianos. Hitler também afirma que os judeus estão a conspirar para evitar que a raça ariana se imponha ao mundo como é seu direito, ao diluir a sua pureza racial e cultural e ao convencer os arianos a acreditar na igualdade em vez da superioridade e inferioridade. Ele descreve a luta pela dominação do mundo como uma batalha racial, cultural e política em curso entre arianos e judeus. A suposta luta pela dominação mundial entre estas duas etnias foi aceita pela população quando Hitler chegou ao poder.


Ascensão ao poder

Após sua prisão devido ao comando do Putsch da Cervejaria, Hitler foi considerado relativamente inofensivo e anistiado, sendo libertado da prisão em Dezembro de 1924. Por este tempo, o partido nazista mal existia e Hitler necessitaria de um grande esforço para o reconstruir.

Nestes anos, ele fu
ndou um grupo que mais tarde se tornaria um dos seus instrumentos fundamentais na persecução dos seus objetivos. Uma vez que o Sturmabteilung ("Tropas de choque" ou SA) de Röhm, não eram confiáveis e formavam uma base separada de poder dentro do partido, ele estabeleceu uma guarda para sua defesa pessoal, a Schutzstaffel ("Unidade de Proteção" ou SS). Esta tropa de elite em uniforme preto seria comandada por Heinrich Himmler, que se tornaria o principal executor dos seus planos relativamente à "Questão Judia" durante a Segunda Guerra Mundial.

Criou também numerosas organizações de filiação (Juventudes Hitleristas, associações de mulheres, etc.). O Partido nazi teve em 1929 uma progressão semelhante à do partido fascista de Benito Mussolini, beneficiando-se do mal-estar econômico, político e social decorrente da derrota de 1918 e, depois, da crise de 1929.

Um elemento vital do apelo de Hitler era o sentimento de orgulho nacional ofendido pelo Tratado de Versalhes imposto ao Império Alemão pelos aliados. O Império Alemão perdeu território para a França, Polónia, Bélgica e Dinamarca, e teve de admitir a responsabilidade única pela guerra, desistir das suas colónias e da sua marinha e pagar uma grande soma em reparações de guerra, um total de $6.600.000 (32 biliões de marcos). Uma vez que a maioria dos alemães não acreditava que o Império Alemão tivesse começado a guerra e não acreditava que havia sido derrotado, el
es ressentiam-se destes termos amargamente. Apesar das tentativas iniciais do partido de ganhar votos culpando o "judaísmo internacional" por todas estas humilhações não terem sido particularmente bem sucedidas com o eleitorado, a máquina do partido aprendeu rapidamente e em breve criou propaganda mais sutil - que combinava o Antissemitismo com um ardente ataque às falhas do "sistema Weimar" (a República de Weimar) e os partidos que o suportavam. Esta estratégia começou a dar resultados.

Historiadores afirmam que uma propaganda demagógica, que explorava habilmente essas frustrações e o sentimento anti-semita generalizado da sociedade alemã da época, apresentando os judeus como bode expiatório dos problemas sociais, permitiu aos nazistas imp
lantarem-se na classe média e entre os operários, ao mesmo tempo em que o abandono do programa social inicial lhes trazia o apoio da classe dirigente e dos meios industriais.

O ponto de virada em benefício de Hitler veio com a Grande Depressão que atingiu a Alemanha em 1930. O regime democrático estabelecido na Alemanha em 1919, a chamada República de Weimar, nunca tinha sido genuinamente aceita pelos conservadores e tinha a oposição aberta dos fascistas.

Os sociais democratas e os partidos tradicionais de centro e direita eram incapazes de lidar com o choque da depressão e estavam envolvidos no sistema de Weimar. As eleições de Setembro de 1930 foram uma vitória para o partido Nazi, que de repente se levantou da obscuridade para ganhar mais de 18% dos votos e 107 lugares no "Reichstag" (parlamento alemão), tornando-se o segundo maior partido. A sua subida foi ajudada pelo império de mídia controlado por Alfred Hugenberg, de direita. Hitler ganhou sobretudo votos entre a classe média alemã, que tinha sido atingida pela inflação dos anos 1920 e o desemprego oriundo da grande depressão. Agricultores e veteranos de guerra foram outros grupos que apoiaram em especial os nazistas. As classes trabalhadoras urbanas, em geral, ignoraram os apelos de Hitler. As cidades de Berlim e da Bacia do Ruhr (norte da Alemanha protestante) eram-lhe particularmente hostis.

A eleição de 1930 foi um desastre para o governo de centro-direita de Heinrich Brüning, que estava agora impossibilitado de obter qualquer maioria no Reichstag, e teve de contar com a tolerância dos sociais democratas (esquerda) e o uso de poderes presidenciais de emergência para permanecer no poder. Com as medidas de austeridade de Brüning mostrando pouco sucesso face aos efeitos da depressão, o governo teve receio das eleições presidenciais de 1932 e procurou obter o apoio dos nazis para a extensão do termo presidencial de Paul von Hindenburg, mas Hitler recusou qualquer acordo, e acabou por competir com Hindenburg na eleição presidencial, obtendo o segundo lugar na primeira fase da eleição, e obtendo mais de 35% dos votos na segunda fase, em abril, apesar das tentativas do ministro do interior Wilhelm Gröner e do governo social-democrata prussiano para restringir as atividades públicas nazistas, incluindo notoriamente a proibição das SA.

Os embaraços da eleição puseram fim à tolerância de Hindenburg para com Brüning, e o velho marechal-de-campo demitiu o governo, nomeando um novo governo sob o comando do reacionário Franz von Papen, que imediatamente revogou a proibição das SA e convocou novas eleições do Reichstag.

Nas eleições de Julho de 1932, os nazistas tiveram o seu melhor resultado até então, obtendo 230 lugares no parlamento e tornando-se o maior partido alemão. Uma vez que nazistas e comunistas detinham a maioria do Reichstag, a formação de um governo estável de partidos do centro era impossível e no seguimento do voto de desconfiança no governo Papen, apoiado por 84% dos deputados, o parlamento recém-eleito foi dissolvido e foram convocadas novas eleições.

Papen e o Partido do Centro tentaram agora abrir negociações assegurando a participação no governo, mas Hitler fez grandes exigências, incluindo o posto de Chanceler e o acordo do presidente para poder usar poderes de emergência de acordo com o artigo 48 da Constituição de Weimar. Esta falha em formar um governo, juntamente com os esforços dos Nazis de ganhar o apoio da classe trabalhadora, alienaram parte do apoio de prévios votantes, de modo que nas eleições de Novembro de 1931, o partido nazista perdeu votos, apesar de se manter como o maior partido do Reichstag.

Uma vez que Papen falhara na sua tentativa de assegurar uma maioria através da negociação e trazer os nazistas para o governo, Hindenburg demitiu-o e nomeou para o seu lugar o General Kurt von Schleicher, desde há muito uma figura influente e que recentemente ocupara o cargo de Ministro da Defesa, que prometeu assegurar um governo maioritário com negociações quer com os sindicatos sociais democratas quer com os dissidentes da facção nazi liderada por Gregor Strasser.

Enquanto Schleicher procurava realizar a sua difícil missão, Papen e Alfred Hugenberg, que era também presidente do Partido Popular Nacional Alemão (DNVP), o maior partido de direita da Alemanha antes da ascensão de Hitler, conspiravam agora para convencer Hindenburg a nomear Hitler Chanceler numa coligação com o DNVP, prometendo que eles o iriam controlar. Quando Schleicher foi forçado a admitir a falha dos seus esforços, e pediu a Hindenburg para dissolver novamente o Reichstag, Hindenburg demitiu-o e colocou o plano de Papen em execução, nomeando Hitler Chanceler, Papen como Vice-Chanceler e Hugenberg como Ministro das Finanças, num gabinete que ainda incluía três Nazis - Hitler, Göring e Wilhelm Frick. A 30 de Janeiro de 1933, Adolf Hitler prestou juramento oficial como Chanceler na Câmara do Reichstag, perante o aplauso de milhares de simpatizantes nazistas.

Mas Hitler ainda não tinha cativado definitivamente a nação. Ele foi feito Chanceler numa designação legal pelo presidente Hindenburg, o que foi uma ironia da história, uma vez que os partidos do centro tinham apoiado o presidente Hindenburg por ele ser a única alternativa viável a Hitler, não prevendo que seria Hindenburg que iria trazer o fim da República.

Mas nem o próprio Hitler nem o seu partido obtiveram alguma vez uma maioria absoluta. Nas últimas eleições livres, os nazis obtiveram 33% dos votos, obtendo 196 lugares num total de 584. Mesmo nas eleições de Março de 1933, que tiveram lugar após o terror e violência terem varrido o Estado, os nazis obtiveram 44% dos votos. O partido obteve o controle de uma maioria de lugares no Reichstag através de uma coligação formal com o DNVP. No fim, os votos adicionais necessários para propugnar a lei de aprovação do governo - que deu a Hitler a autoridade ditatorial - foram assegurados pelos nazistas pela expulsão de deputados comunistas e da intimidação de ministros dos partidos do centro. Numa série de decretos que se seguiram pouco depois, outros partidos foram suprimidos e toda a oposição foi proibida. Em poucos meses, Hitler tinha adquirido o controle autoritário do país e enterrou definitivamente os últimos vestígios de democracia.


Regime Nazi

Após ter assegurado o poder político sem ter ganho o apoio da maioria dos alemães, Hitler tratou de o conseguir, e na verdade, permaneceu fortemente popular até ao fim do seu regime. Com a sua oratória e com todos os meios de comunicação alemães sob o controle do seu chefe de propaganda, o Dr. Joseph Goebbels, ele conseguiu convencer a maioria dos alemães de que ele era o salvador da Depressão, dos Comunistas, do tratado de Versalhes, e dos judeus.

Para todos aqueles que não ficaram convencidos, as SA, a SS e Gestapo (Polícia secreta do Estado) tinham mãos livres, e milhares desapareceram em campos de concentração, como o Campo de Concentração de Dachau, perto de Munique, criado em 1933, o primeiro de todos e um modelo para os demais. Muitos milhares de pessoas emigraram, incluindo cerca da metade dos Judeus, que fugiram sobretudo para a Inglaterra, Israel (na época chamada de Palestina, sob domínio Inglês) e EUA.

Na noite de 29 para 30 de Junho de 1934, a chamada "Noite das facas longas", Hitler autorizou a ação contra Röhm, o líder das SA, que acabaria por ser assassinado. Himmler tinha conspirado contra Röhm, apresentando a Hitler "provas" manipuladas de que Röhm planejava o assassínio de Hitler.

Em 2 de Agosto de 1934, Hindenburg morre. Hitler apodera-se do seu lugar, fundindo as funções de Presidente e de Chanceler, passando a se auto-intitular de Líder (Führer) da Alemanha e requerendo um juramento de lealdade a cada membro das forças armadas. Esta fusão dos cargos, aprovada pelo parlamento poucas horas depois da morte de Hindenburg, foi mais tarde confirmada pela maioria de 89,9% do eleitorado no plebiscito de 19 de Agosto de 1934.

Os judeus que até então não tinham emigrado iriam em breve se arrepender da sua hesitação. Com as Leis de Nuremberg de 1935, eles perderam a sua condição de cidadãos alemães e foram banidos de quaisquer lugares na função pública, de exercer profissões ou de tomar parte na atividade economica. Foram acrescidamente sujeitos a uma nova e violenta onda de propaganda difamatória. Poucos não-judeus alemães objetaram estas medidas. As Igrejas Cristãs, elas próprias impregnadas de séculos de anti-semitismo, permaneceram silenciosas. Estas restrições foram mais tarde apertadas mais estritamente, particularmente após a operação anti-semita de 1938 conhecida como Kristallnacht (Noite dos Cristais).

A partir de 1941, os Judeus foram obrigados a usar a estrela amarela em público, para serem facilmente reconhecidos e considerados "inferiores". Entre Novembro de 1938 e Setembro de 1939, mais de 180.000 judeus fugiram da Alemanha; os Nazis confiscaram toda a propriedade que ficara para trás.
Economia

Nesta altura, sob o controle ditatorial, Hitler deu início a grandes mudanças econômicas. Há uma certa controvérsia sobre os aspectos econômicos do governo de Hitler, pois nem todas as suas medidas foram saudáveis a médio e longo prazo. As políticas econômicas do governo de Brüning, cautelosas e fiscalistas, vinham sanando as finanças e organizando o Estado alemão nesse aspecto. Hitler, ao contrário, pôs em prática um largo programa de intervencionismo econômico, baseado no keynesianismo, embora se distanciasse deste em muitos pontos.

O desemprego na Alemanha de 1933 era de aproximadamente 6 milhões. Esse número diminuiu para 300.000 em 1939. Essa diminuição fabulosa, no entanto, ocorreu por diversos motivos, e não só devido à fabulosa política econômica do Reich. Alguns desses motivos são:

As mulheres que se casavam deixaram de ser contadas como desempregadas a partir de 1933;Judeus, a partir de 1935, perderam a condição de cidadãos do Reich, não contando mais como desempregados;Ao desempregado eram dadas duas opções: ou trabalhar para o governo sob baixíssimos salários ou permanecer segregado da esfera governamental, longe de todas as suas obrigações, mas também vantagens, como saúde, lazer, etc.

As convocações para o exército começaram a se acelerar. Até 1939, 1,4 milhões de alemães haviam sido convocados. Para armar esse contingente, a produção industrial aumentou e a procura por mão-de-obra aumentou também;Criação da Frente Alemã de Trabalho, dirigida por Robert Ley, que pôs em prática programas governamentais de trabalho que absorveram boa parte da mão-de-obra disponível, ora empregando-a no melhoramento da infra-estrutura do país, ora nas indústrias e na produção bélica.

Essas medidas ocorreram à custa de pesadíssimos investimentos por parte do Estado, comprometendo a longo prazo as finanças. O que se viu, em conseqüência disso, foi um déficit crescente. De 1928 até 1939, a arrecadação do Estado havia subido de 10 bilhões de Reichsmarks para 15 bilhões, no entanto os gastos, no mesmo período, subiram de 12 bilhões de Reichsmarks para 30 bilhões. Em 1939, o déficit acumulado era de 40 bilhões de Reichsmarks.

A inflação, nesse período, cresceu tanto que em 1936 foi decretado o congelamento de preços. O governo alemão foi incapaz de lidar com o controle de preços e sua interferência constante apenas engessou a economia e dificultou o aumento gradual e equilibrado da produção. A partir de 1936, o dirigismo econômico passou, gradualmente, a substituir a adaptação automática da produção pelo mercado, de maneira que a regulamentação econômica passou a ser maior.

Em Março de 1935 Hitler repudiou abertamente o Tratado de Versalhes ao reintroduzir o serviço militar obrigatório na Alemanha. O seu objetivo seria construir uma enorme máquina militar, incluindo uma nova marinha e força aérea (a Luftwaffe). Esta última seria colocada sob o comando de Göring, um comandante veterano da Primeira Guerra Mundial. O alistamento em grandes números pareceu resolver o problema do desemprego mas também distorceu a economia.

É por esta altura, em 1936 que, nas Olimpíadas de Berlim, um afro-americano (Jesse Owens) venceu em várias modalidades, muitos defendem que tal vitória contradisse na prática a propaganda à raça Ariana preconizada por Hitler para estes jogos. Tal dito vê-se errôneo, visto que o arianismo de Adolf Hitler não defende a superioridade ariana quanto à composição física.

Em Março de 1936 ele volta a violar o Tratado de Versalhes ao reocupar a zona desmilitarizada na Renânia (zona do Rio Reno). Ingleses e Franceses não fizeram nada, o que o encorajou. Em Julho de 1936, a Guerra Civil Espanhola começou, com a rebelião dos militares, liderados pelo General Francisco Franco, contra o governo democraticamente eleito da Frente Popular, rebelião esta que contou com o apoio do Vaticano. Hitler enviou tropas em apoio de Franco. A Espanha tornou-se também um campo de teste para as novas tecnologias e métodos militares desenvolvidos na Alemanha. Em Abril de 1937, os aviões alemães da Legião Condor bombardeiam e destroem pela primeira vez na história uma cidade a partir do ar. Foi a cidade de Guernica, na província espanhola do País Basco.

A 25 de Outubro de 1936, Hitler assinou uma aliança com o ditador italiano fascista Benito Mussolini, denominada eixo Roma-Berlim. Esta aliança seria mais tarde expandida para incluir também o Japão, Hungria, Roménia e Bulgária, bloco que se tornou conhecido como as potências do eixo.

A 5 de Novembro de 1937, na Chancelaria do Reich, Hitler presidiu a um encontro secreto onde discutiu os seus planos para adquirir o "espaço vital" ao povo alemão.

A 12 de Março de 1938, Hitler pressionou a sua Áustria nativa à unificação com a Alemanha (o chamado "Anschluss"). Suas tropas entraram na Áustria e Hitler fez um discurso triunfal em Viena na "Heldenplatz" (Praça dos Heróis) onde foi saudado efusivamente por uma multidão de austríacos simpatizantes, muitos deles fazendo a saudação romana adotada pelos nazistas.

O próximo passo seria a intensificação da crise com a zona dos Sudetos, de língua alemã, situada na Checoslováquia. Isto levou ao acordo de Munique de Setembro de 1938 onde a Inglaterra (Chamberlain assinou o pacto, propondo ainda uma política de contenção) e a França de forma fraca deram vazão às exigências de Hitler, procurando evitar a guerra com Hitler, mas entregando-lhe a Checoslováquia.

No seguimento do acordo de Munique, Hitler foi designado como Homem do Ano de 1938. Foi também alegado que a autora de origem judaica Gertrude Stein defendeu nesse ano a entrega do Prémio Nobel da Paz a Hitler.

A 10 de Março de 1939, Hitler ordenou a entrada do exército alemão em Praga.
Nesta altura, os ingleses e franceses perceberam finalmente que deveriam resistir. Resistiram às próximas exigências de Hitler, que diziam agora respeito à Polónia. Hitler pretendia o regresso dos territórios cedidos à Polónia pelo Tratado de Versalhes.

As potências ocidentais não aceitaram as exigências de Hitler mas não conseguiram chegar a um acordo com a União Soviética para uma aliança contra a Alemanha e Hitler manobrou para uma posição de força.

A 23 de Agosto de 1939, Hitler concluiu uma aliança (o pacto Molotov-Ribbentrop) com Stalin. A primeiro de Setembro de 1939, a Alemanha invade a Polónia, no que foi seguida pela União Soviética. A Inglaterra e a França reagem desta vez, declarando guerra à Alemanha. A Segunda Guerra Mundial estava começando.

Nos três anos seguintes, Hitler conheceria uma série quase inabalada de sucessos militares. A Polónia foi rapidamente derrotada e dividida com os soviéticos. Em Abril de 1940, a Alemanha invadiu a Dinamarca e a Noruega. Em maio, a Alemanha iniciou uma ofensiva relâmpago, conhecida por "Blitzkrieg", que rapidamente ocupou a Holanda, Bélgica, Luxemburgo e França, (esta última capitulou em seis semanas). Nesta altura, Aristides Sousa Mendes era o cônsul de Portugal em Bordéus e salvou a vida de dezenas de milhares de refugiados, muitos dos quais judeus e que assim se salvaram do Holocausto. Contra as instruções expressas de Salazar, Aristides concedeu vistos de entrada para Portugal aos refugiados que o procuravam.

Em Abril de 1941, a Iugoslávia e a Grécia foram invadidas por exércitos alemães. Forças ítalo-alemãs avançavam também pelo norte de África em direção ao Egipto.
Estas invasões foram acompanhadas do bombardeamento de cidades indefesas tais como Varsóvia, Roterdan e Belgrado.

A única derrota de Hitler nesta fase foi o fracasso do seu plano de bombardear e posteriormente invadir a Inglaterra. A Força Aérea Real (RAF) acabaria por vencer no ar a Batalha da Inglaterra. A incapacidade de adquirir supremacia nos céus britânicos significou que a "Operação Leão Marinho", o plano de invadir a Grã-Bretanha, foi cancelada.

A 22 de Junho de 1941 foi desencadeada a Operação Barbarossa. As forças de Hitler invadiram a União Soviética, rapidamente se apoderando da terça-parte da Rússia Européia, cercando Leningrado e ameaçando Moscou. No inverno, os exércitos alemães foram detidos às portas de Moscou com o rompimento da frente pelos russos, mas no verão seguinte, a ofensiva continuou. Em Julho de 1942, os exércitos de Hitler chegavam ao Volga. Aqui, eles foram derrotados em 2 de fevereiro de 1943 na Batalha de Stalingrado, a primeira grande derrota alemã na Guerra e que se tornaria o marco decisivo do início da derrota do III Reich.

No norte de África, os ingleses derrotaram os alemães na batalha de El Alamein, destroçando o plano de Hitler de se apoderar do Canal do Suez e do Oriente Médio.


A derrota e o Suicídio

A partir de 1943, no entanto, a queda alemã tornou-se inexorável e o atentado de Julho de 1944 contra Hitler revelou a força da oposição interna. Nessa época a saúde de Hitler estava muito debilitada, possuía problemas cardíacos, era hipocondríaco, sofria de insônia, sofria também de Parkinsionismo e estava envelhecendo precocemente. Após uma última derrota (ofensiva das Ardenas, em Dezembro de 1944), Hitler refugiou-se em um bunker (esconderijo) na cidade de Berlim, onde mais tarde cometeria suicídio em 30 de abril de 1945.

Uma maioria esmagadora dos relatos históricos sustenta a tese do suicídio de Hitler. No entanto, existem rumores na América Latina segundo os quais Hitler teria fugido para um país da América do Sul onde teria morrido com uma doença incurável, tendo sido um sósia a morrer no bunker em Berlim. O mesmo teria acontecido com Eva Braun, sua noiva, com quem teria se casado pouco antes do suicídio. Segundo alguns historiadores, Braun teria se casado com ele somente depois de jurar "fidelidade" e prometer que se mataria junto com ele. Seus corpos não foram encontrados, ele teria mandado sua guarda cremá-los, talvez para que não houvesse nenhum modo de o inimigo torturá-lo, nem após sua morte.

Uma segunda corrente de historiadores, no entanto, acredita que o fim da vida de Adolf Hitler teria ocorrido com a destruição de seu bunker em Berlim, por um grande ataque aéreo dos aliados já no fim da grande guerra. Acreditam ainda que, após este ataque a seu bunker, os corpos de Eva Braun e do braço direito de Hitler, Heinrich Himmler, também foram encontrados, mas em melhores condições que o do próprio Hitler: tinham em seus corpos queimaduras e marcas das ferragens, já o de Adolf estava carbonizado, sendo reconhecido apenas pela sua vestimenta e seu bigode.

O reconhecimento do corpo de Hitler foi feito por seus próprios comandantes e soldados capturados. Pelo fato dos corpos terem sido encontrados carbonizados, os aliados teriam vinculado a notícia de que seus corpos não foram encontrados, mas se sabe, através de relatos, que não fora a ordem de Hitler para cremar seus corpos o real motivo para os mesmos terem sido localizados desta forma, mas sim o da explosão de uma bomba que teria destruído o bunker onde ele e seus fiéis colaboradores se encontravam. As autópsias feitas nos corpos encontrados no bunker em Berlim revelaram que em um dos corpos havia uma bala de pistola Luger. Boatos dizem que era a arma com a qual Hitler havia se matado antes da bomba cair em seu bunker, ou ainda que um dos seus colaboradores havia disparado contra Hitler para que o mesmo não fosse capturado vivo pelos aliados.

O testamento de Hitler

No dia 29 de dezembro de 1945, em Nuremberg, foi divulgado a existência de vários documentos secretos em uma casa do campo, situada em Tegernsee, a 48 quilómetros ao sul de Munique, nas vizinhanças da residência do General Lucian Truscott (Comandante do Terceiro Exército dos Estados Unidos). Eram quatro documentos que foram denominados de testamento de Adolf Hitler. Foram considerados na época como prova definitiva da morte de Hitler, uma vez que seus corpos foram queimados no bunker de Hitler e o local foi tomado pelas tropas soviéticas que dificultaram as investigações e isso causou dúvidas sobre a certeza de sua morte.

A descoberta fora feita por britânicos da contra-espionagem e norte-americanos. Os documentos estavam datados em 29 de abril de 1945, data de pouco antes do colapso da resistência alemã, e contava com testemunho de Joseph Goebbels, Ministro da

Propaganda do Reich, do secretário pessoal de Hitler e Reichsleiter Martin Bormann, do representante de Himmler na Tchecoslaváquia, Hans Krebs, e de Wilhelm Bergdorf.
No mesmo local foi encontrato o original do contrato de casamento de Hitler com Eva Braun, testemunhado por Martin Bormann e por Goebbels. Outro documento descoberto, além do chamado testamento político Hitler, foi o seu testamento particular dispondo de sua fortuna pessoal que tem como testemunhas Martin Bormann, Goebbels e Nikolaus von Below, ajudante de Martin Bormann.

FONTE: ENCICLOPÉDIA LIVRE