quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Mágico de Oz

"Comecei usar pra esquecer dos problemas
Fugi de Casa.
Meu pai chegava bêbado e me batia muito.
Eu queria sair desta vida.
O meu sonho?
Estudar, ter uma casa, uma família.
Se eu fosse mágico?
Não existia droga, nem fome e nem polícia."

Aquele moleque sobrevive como manda o dia a dia,
tá na correria, como vive a maioria,
Preto desde nascença, escuro de sol,
eu tô pra ver ali igual no futebol.
Sair um dia das ruas é a meta final
Viver decente, sem ter na mente o mal.
Tem o instinto que a liberdade deu,
Tem a malícia, que cada esquina deu,
Conhece puta, traficante, ladrão,
toda raça, uma pá de alucinado e nunca embaçou,
confia nele mais do que na polícia.
Quem confia em polícia? Eu não sou louco!
A noite chega, e o frio também,
sem demora e a pedra o consumo a cada hora,
pra aquecer ou pra esquecer, viciar,
Deve ser pra se adormecer, pra sonhar,
Viajar na paranóia, na escuridão,
um poço fundo de lama, mais um irmão,
não quer crescer, ser fugitivo do passado,
envergonhar-se aos 25 ter chegado.
Queria que Deus ouvisse a minha voz
e transformasse aqui no Mundo Mágico de OZ...

Um dia ele viu a malandragem com o bolso cheio,
pagando a rodada, risada e vagabunda no meio.
A imprensão que dá, é que ninguém pode parar.
Um carro importado, som no talo,
"Homem na Estrada" eles gostam,
Só bagaceira só,
o dia inteiro só.
Como ganha o dinheiro, vendendo pedra e pó,
Rolex ouro no pescoço a custa de alguém,
Uma gostosa do lado pagando pau pra quem?
A polícia passou e fez o seu papel,
dinheiro na mão, corrupção à luz do céu!
Que vida agitada hein?
Gente pobre tem, periferia tem, você conhece alguém,
Moleque novo que não passa dos doze,
já viu viveu, mais que muito homem de hoje,
Vira a esquina, e pára em frente a uma vitrine,
se vê, se imagina na vida do crime.
Dizem que quem quer segue o caminho certo,
Ele se espelha em quem tá mais perto,
Pelo reflexo do vidro ele vê,
seu sonho no chão se retorcer.
Ninguém liga pro moleque tendo um ataque,
Foda-se quem morrer dessa porra de crack!
Relaciona os fatos com seus sonhos:
"poderia ser eu no seu lugar"
Ah, das duas uma eu não quero desandar,
por aqueles mano que trouxeram essa porra pra cá,
matando os outros, em troca de dinheiro e fama,
grana suja como vem vai, não me engana.
Queria que DEUS ouvisse a minha voz
e transformasse aqui no Mundo Mágico de OZ...

Hey mano, será que ele terá uma chance?
Quem vive nesta porra, merece uma revanche,
É um dom que você tem de viver,
É um dom que você recebe pra sobreviver,
História chata, mas cê tá ligado?
Que é bom lembrar que quem entrar
é um em cem, pra voltar.
Quer dinheiro pra vender, tem um monte aí,
Tem dinheiro, quer usar, tem um monte aí,
Tudo dentro de casa vira fumaça,
é foda!
Será que DEUS deve tá provando minha raça?
Só desgraça gira em torno daqui.
Falei do JB ao Piqueri e Mazzei.
Rezei pra um moleque que pediu:
"Qualquer trocado, qualquer moeda, me ajuda tio!"
Pra mim não faz falta, uma moeda não neguei.
E não quero saber, o quê que pega se eu errei.
Independente a minha parte eu fiz,
Tirei um sorriso ingênuo, fiquei um terço feliz.
Se diz que moleque de rua rouba.
O governo, a polícia no Brasil
Quem não rouba?
Ele só não têm diploma pra roubar.
Ele não se esconde atrás de uma farda suja.
É tudo uma questão de reflexão, irmão,
é uma questão de pensar,
Ah! A polícia sempre dá o mal exemplo,
lava minha rua de sangue,
leva o ódio pra dentro,
pra dentro de cada canto da cidade,
pra cima dos quatro extremos da simplicidade.
A minha liberdade foi roubada.
Minha dignidade violentada.
Que nada!
Os manos se ligar,
Parar de se matar, amaldiçoar,
Levar pra longe daqui essa porra,
Não quero que um filho meu
um dia (DEUS me livre!) morra!
ou um parente meu acabe com um tiro na boca,
É preciso eu morrer pra DEUS ouvir minha voz,
ou transformar aqui no mundo mágico de OZ...


Jardim Filhos da Terra e tal, Jardim Hebron, Jaçanã, Jova Rural, Piqueri e Mazzei, Nova Galvão, Jardim Corisco, Fontális e então, Campo Limpo, Guarulhos Jardim Peri, JB, Edu Chaves e Tucuruvi, Alô Dodi, Mimosa e São Rafael, Zachi Narchi tem lugar no céu,
Às vezes eu fico pensando se DEUS existe mesmo, morô?
Porque meu povo já sofreu demais, e continua sofrendo até hoje!
Só quero ver os moleque nos farol, na rua, muito louco de cola, de pedra,
e eu penso que poderia ser um filho meu, morô?
Mas aí! Eu tenho fé, eu tenho fé... em DEUS.
Racionais Mc's

Entrevista Mano Brown - Parte 2



Mano Brown, nome artístico de Pedro Paulo Soares Pereira, (São Paulo, 22 de abril de 1970), é um rapper brasileiro, vocalista dos Racionais MC's, grupo de rap formado na capital paulista em 1988 e integrado por Ice Blue (Paulo Eduardo Salvador), Edy Rock (Edivaldo Pereira Alves) e KL Jay (Kleber Geraldo Lelis Simões).

É o compositor das letras que abordam a vida na favela das grandes cidades do Brasil, com destaque para o bairro do Capão Redondo, onde morava em São Paulo. Hoje permanece morando no Capão Redondo, num condomínio residencial próximo à Estrada de Itapecerica. Lançou todos os álbuns do grupo Racionais MC's, com destaque para Vida Loka I, Vida Loka II, Negro Drama, Capítulo 4, Versículo 3, A Vida é Desafio, Jesus Chorou, Homem na Estrada, Da Ponte pra Cá, Diário de um Detento.

Em dezembro de 2009, Mano Brown estampou a capa da revista de música Rolling Stone, fato que teve grande repercussão, principalmente pelo fato de o rapper não gostar de dar entrevistas .
Segundo o que disse à revista, ele mudou seu comportamento e está mais aberto ao público. A publicação revelou também que o pai que ele nunca conheceu possuia origens italianas, razão de sua pele mestiça.

Fonte: Enciclopédia Livre - http://pt.wikipedia.org/wiki/Mano_Brown

Entrevista Mano Brown - Parte 1



Produção "um pouco" fraca, repórter "um pouco" fraco, boa parte das respostas um "pouco fraca", mas enfim, um pouco das idéias do gênio do RAP e lider dos Racionais, Mano Brown

Racionais MC's é um grupo brasileiro de rap, fundado em 1988 na periferia da cidade de São Paulo por Mano Brown (Pedro Paulo Soares Pereira), Ice Blue (Paulo Eduardo Salvador), Edy Rock (Edivaldo Pereira Alves) e KL Jay (Kleber Geraldo Lelis Simões). Suas letras falam sobre a realidade das periferias urbanas brasileiras, discutindo temas como o crime, pobreza, preconceito social e racial, drogas e consciência política.

Usando a linguagem da periferia, com expressões típicas das comunidades pobres com o objetivo de comunicar-se de forma mais eficaz com o público jovem de baixa renda, as letras do grupo fazem um discurso contra a opressão à população marginalizada na periferia e procuram passar uma postura contra a submissão e a miséria. Apesar de atuar essencialmente na periferia paulistana, de não fazer uso de grandes mídias e se recusar a participar de grandes festivais pelo Brasil, o grupo vendeu durante a carreira cerca de 1 milhão de cópias de seus álbuns


Forte: Enciclopédia Livre.

Até quando - Gabriel O pensador

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer
Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
É tudo flagrante

A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco
A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você
Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado que eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá
Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar
Escola, esmola
Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro


Tasso Jereissat vs Renan Calheiros - 06/08/09

O poder e a política

Dilma Rousseff - Primeira Presidente mulher do Brasil

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Operação Avalanche - Rio de Janeiro - Preleção Bope



Essa é a préleção dos "Facas na Caveira". Foram os primeiros, juntos com blindados entrarem no Morro do Alemão na chamada "Operação Avalanche". Percebe-se que não foi preciso muito para motivar os homens do BOPE.

Espero que o Estado não utilize somente a força para melhorar a vida da população local. A comunidade além da segurança pública, vai necessitar de educação para os jovens, saúde, oportunidade de emprego, saneamento básico e outros demais serviços que podem vir a mudar de fato a vida destas comunidades.