quarta-feira, 10 de março de 2010

Formação do indivíduo entre trabalho e ócio


Formação do indivíduo entre trabalho e ócio
Por Albanir Faleiros Machado Neto


A formação do individuo que pensa, age e se comunica e busca um diálogo de entendimento se dá através do melhor argumento, implicando processos de comunicação através dos quais pode-se questionar o mundo e é onde se afirma a indiviudalidade do sujeito e sua autonomia. Tais processos de comunicação possuem um via de mão única com a relação trabalho e ócio. Pode-se perceber através dos séculos que o aumento do ócio é diretamente proporcional ao aumento dos meios de comunicação assim como da influência dos mesmos na vida e no coatidiano das pessoas.

Tendo em vista o aumento dos meios comunicativos juntamente com o aumento do ócio, pode-se dizer que os meios comunicativos surgem como gestores do ócio, e infelizmente um gestor que aparece para coagir, informar e manipular as pessoas de acordo com interesses privados. Assim, as empresas de comunicação - cultural, entreterimento - acabam por ser os gestores do ócio, manipulando seus conteúdos de acordo com seus interesses.

A cada aumento do tempo de ócio há o aumento dos meios de comunicação, assim como o aumento das horas livres e dos salarios e a diminuição do tempo de trabalho é o que permite o aumento de novos meios de comunicação no mercado. Assim o ócio se torna um tempo pós trabalho, um periodo dedicado a diversão a educação e a cultura. A gestão do ócio se converteu nos finais do século XX como parte fundamental da comunicação humana. Toda empresa de serviços incluidas as de comunicação e Educação é uma empresa de gestão do ócio. A educação como formação continua deve ser incluida no tempo de ócio. É importante ter em vista e se mostra necessario uma redefinição do ócio, pois os gestores culturais de empresas de comunicação se tornam gestores de ócio. A gestão do ócio acaba por se tornar uma parte fundamental da comunicação humanda. Todo empresa de serviços incluidas as de comunicação é uma empresa de gestao do ócio. Assim a educação tem de ser incluída também dentro desse quadro.

Uma nova autoridade na educação coincide com uma exigencia de responsabilidade em que o aluno é convertido em cliente. A educação é a formação de um cidadão para afrontar os desafios de uma sociedade democratica, por tanto deve ser tão solidária como útil. Faz-se necessario uma redefinição do ócio e dos gestores do ócio já que os gestores educativos e culturais de empresas de comunicação serão os gestores do tempo pós laboral. O ócio assim acaba por ser em definitvo o tempo dedicado a informação, entreterimento, diversão e formação.

A evolução rumo ao ócio teve suas etapas, sendo a primeira o descanso, onde a jornada de trabalho em finais do século XIX foram frutos das lutas dos trabalhadores por uma jornada de dez horas e logo passando para oito horas. Os descansos aos domingos teriam assim forte conotações religiosas. A segunda evolução seria o da diversão, onde houve um desconto da jornada de trabalho que acabou por ser produto das duas guerras mundiais. Isso provoca posteriormente um controle policial sobre os excessos das massas que não sabiam como ocupar seu tempo livre. A terceira evolução, chamada de evolução do “Ócio”, será o desconto da jornada de trabalho como resultado da terceira revolução industrial, que está marcada pela industria cultural e o ócio. Acaba assim por voltar uma pressão popular que demanda a repartição dos recursos obtidos com tal revoluçao, voltando também a idéia de redução da jornada de trabalho juntamente como o aumento da capacidade dos meios de produçao.

É dificil encontrar uma definição história para o Ócio, mas em todo caso, este sempre teve uma associação negativa, pois, esse tempo, não esta dentro desta perspectiva, produzindo, trabalhando. A identificação com o ócio esta sempre ligada ao descanso, assim, sendo somente um privilegio social da elite. A solução para isso seria caminhar em um duplo sentido, indo num sentido de obtenção de melhor informação sobre o ócio e também em busca de uma pedagogia do tempo livre, que só pode ser impulsionada pelos gestores e pelos profissionais de empresas educativas e culturais. A televisão educativa e cultural seria uma saida educativa para preparar a sociedade do ócio. Uma televisão para o ócio seria uma televisão que educa e que pode ser uma saida coerente ao marasmo atual da televisão pública sem identidade e sem destino.

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