quarta-feira, 30 de junho de 2010

As etapas evolutivas do Ócio

Por AlbaNir Faleiros Machado Neto

A evolução rumo ao ócio teve suas etapas, sendo a primeira o Descanso. A jornada de trabalho em finais do século XIX foram um dos motivos que levaram a lutas dos trabalhadores por uma jornada de dez horas e logo passando para oito horas. Os descansos aos domingos teriam forte conotações religiosas. A segunda evolução seria o da Diversão onde houve um desconto da jornada de trabalho que acabou por ser produto das duas guerras mundiais. Isso provoca posteriormente um controle policial sobre os excessos das massas que não sabiam como ocupar seu tempo livre. A terceira evolução, chamada de evolução do “Ócio”, será o desconto da jornada de trabalho como resultado da terceira revolução industrial, que está marcada pela industria cultural ou do ócio. Acaba assim voltando uma pressão popular que demanda a repartição dos recursos e dos benefícios obtidos com tal revolução, voltando também a idéia de redução da jornada de trabalho juntamente como o aumento da capacidade dos meios de produçao.
É dificil encontrar uma definição história para o Ócio, mas em todo caso, este sempre teve uma associação negativa pois nesse tempo, não esta dentro desta perspectiva produzindo, trabalhando. A identificação com o ócio estava sempre ligada ao descanso, assim, sendo somente um privilegio social da elite. A solução para isso seria caminhar em um duplo sentido, indo num sentido de obtenção de melhor informação sobre o ócio e também em busca de uma pedagogia do tempo livre, que só pode ser impulsionada pelos gestores e pelos profissionais de empresas educativas e culturais. A televisão educativa e cultural seria uma saida educativa para se preparar a sociedade do ócio. Uma televisão para o ócio seria uma televisão que educa e que pode ser uma saida coerente ao marasmo atual da televisão pública sem identidade e sem destino.


Educação Contemporânea

O Moderno e Contemporâneo, tem como ponto de passagem no fim do século XVIII, entre a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, as quais, atuando na economia e na política, animam toda a sociedade e a cultura, dando inicio a uma fase nova da Modernidade. Nova fase marcada pela centralidade das ideologias, pela lutas sociais, pelo desenvolvimento tecnológico e cientifico, pelo crescimento da sociedade de massa, tendo como alvo o pensamento cientifico e o controle social, redefinindo radicalmente os processos educativos e seus objetivos: conformação e liberação, emancipação e controle, produtividade e livre formação humana. Na contemporaneidade nasce um organismo político-social novo que reclama participação e responsabilidade social, civil e política por parte de todos, desenvolvendo também as possibilidades de igualdade entre os homens, ao realizar a igualdade das oportunidades. É época de uma educação social que da substancia ao político. Há aqui também uma dependência da ideologia, dos projetos de domínio da comunicação, organização e transformação do mundo social, expressos pelas diversas classes sociais, pelos grupos culturais etc.

A educação veio se redesenhando sobre os perfis profissionais, colocou no centro a ótica do profissionalismo e a escola assumiu como sua essa tarefa social primaria. Formar jovens gerações é, sobretudo, transmitir-lhes competências e comportamentos, é conformá-las a regras sociais que atinge antes de tudo, as competências profissionais.

Outra característica que atravessa a contemporaneidade pedagógica e que marca profundamente é a renovação da organização escolar e a sua vocação reformista. A começar do século XVIII, a instituição escolar foi submetida a processos de revisão, de reprogramação, de reorganização setorial e global, tendo em vista uma maior funcionalidade social, ligada à convergência ideológica com o poder, mas, sobretudo à eficiência em relação às necessidades produtivas e, portanto, técnicas da sociedade nação Estado. Tratou-se de renovar a escola a fim de torná-la funcional para a sociedade industrial, democrática, de massas, que vinha configurando como o modelo contemporâneo e disseminado de sociedade. Tratou-se de atualizar a escola por organização-gestao, por programas, por modelos culturais a uma sociedade nova que se configurava como produtiva, pluralista, aberta.

Mas a “tradição cultural e intelectual” , no seu aspecto mais genuíno continuara a viver e a agir como o paradigma de desenvolvimento da humanidade, ainda que adaptando-se a condições profundamente nova. Nos dias de hoje temos que reler sobre o fundo do passado e de um passado reconstruído em todas as suas possibilidades e ramificações principalmente sobre a influência dos meios comunicativos que apresentam-se de forma coercitiva dentro do momento de ócio, que é onde se encontra o processo educativo.


Conclusão

Ao lado da escola, dos meios de comunicação e do tempo de ócio está a família, que deve ser vista como instituição educativa primaria e natural, mas que deve agir – para o bem da sociedade inteira, segundo modelos mais racionais, mais uniformes e mais construtivos. Deve ser a via primaria para a conformação, para a constituição de um sujeito disciplinado e consciente dos próprios deveres e de seus direitos, capaz de modelar-se às normas que justamente a família, com seu comportamento, encarnam: submissão à autoridade (do pai), a ética do sacrifício e da responsabilidade, o valor do trabalho, da poupança, da propriedade. A família burguesa assume justamente na segunda metade do século essas características de organismo autoritário e sensório, atenta ao cuidado dos filhos, mas também ao seu estrito controle, fortemente repressivo. É a família como aparecera dentro da obra freudiana que acaba por ser a produtora de neuroses e de trauma, mas também sustentada por uma ânsia de normalização autoritária, de oposição a toda forma de desvio ou de divergências.

Os animadores, os comunicadores, a televisão e todos os meios de entreterimento se convertem em gestores culturais e cada vez mais especificamente determinado em razões das necessidades sociais que deveriam englobar-se em um conceito mais amplo como profissão de comunicador. A conclusão seria guiar-se rumo a um novo conceito da comunicação visando a utopia informativa, rumo a uma nova organização das empresas do ócio incluindo-se nisto a televisão educativa para que superem os termos “entreterimento”, “aventura” e “descanso”. Assim deve-se ir rumo a uma nova organização das empresas de comunicação dentro de um conceito global de multimédia que as definam como empresas de gestores do ócio. Deve-se buscar uma mundaça na concepção do marketing baseada tradicionalmente na exclusiva capacitação e pela fidelização do cliente. Deve-se seguir rumo a mudança de mentalidade dos gestores culturais que convertem-se em gestores do ócio, a um impulso novo da investigação em temas do ócio que ofereça uma real profissionalização dos gestores culturais.



Referências


-MARIA Perceval, José. (S/D) Medios de comunicación y educación en la sociedad del ocio.(Universitat Autonma de Barcelona)

-FREUD, Sigmund. Algumas reflexões sobre a psicologia do escolar. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sgmund Freud, vol. XIII. Rio de Janeiro: Imago, 1995.

-LESER, H. O problema pedagogico. Editora UNESP, 1937-1965.

- HTTP:/ www.pedagogia.com.br

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