Publicado em 4 de mai de 2016
Hitler Antes do Poder
Em 1944, pouco antes de ser fuzilado pelos nazistas, o francês Marc Bloch, um dos maiores historiadores do século XX, escreveu: “Uma epidemia supõe duas coisas: gerações de micróbios e, no momento em que a doença se instala, um ‘terreno’”. O curioso é que a preocupação dele não tinha nada a ver com a biologia. Esse tal de “terreno” que ele falava na verdade se referia às condições históricas sob as quais um determinado fenômeno tem a possibilidade de acontecer.
A ascensão do nazismo e de seu líder, Adolf Hitler (um pintor frustrado na juventude e ex-soldado do exército alemão durante a Primeira Guerra Mundial) é um desses fenômenos que não se pode explicar sem recorrer às condições históricas daquele momento. Mas antes disso, vamos falar um pouco sobre esse sinistro personagem...
Não se sabe muito sobre as origens familiares de Adolf Hitler. E o pior é que ler sua autobiografia também não ajuda muito a conhecê-las já que nela foi construída uma imagem de sua infância condizente com a posição de líder nacionalista que ele aspirava.
Então fica difícil saber se o que está escrito ali é verdade ou apenas a fantasia de um lunático ambicioso. Sabe-se, no entanto, que Hitler nasceu em 1889, numa cidadezinha no norte da Áustria (Sim, Hitler não era Alemão!).
Filho de um funcionário público e de sua empregada – que, por sinal, também era prima do pai dele – Hitler vinha de uma família provinciana e relativamente pobre.
Após a morte de seus pais, o jovem Hitler, na época com 19 anos, se mudou para Viena, onde tentou a sorte como artista. Porém seu sonho foi por água abaixo quando a Academia de Belas Artes da cidade rejeitou ele como aluno. Sem muita saída Hitler começou a vender sua arte nas ruas da capital.
Foi ainda durante essa estadia em Viena que Hitler teve seu primeiro contato com as ideias antissemitas de Liebenfels e com o pangermanismo de Shönerer, que o levaram a acreditar em uma suposta superioridade da “raça ariana”.
Com as suas pretensões artísticas destruídas, Hitler se mudou novamente, dessa vez foi para Munique. E foi lá que o garoto decidiu se alistar no exército alemão. Era bem a época que tava rolando o começo da Primeira Guerra Mundial.
Empolgado com as ideias nacionalistas de seu tempo, Hitler achou que era um boa ideia metralhar outras pessoas. Mas sua carreira como militar não foi muito melhor do que como pintor. Por ter vindo de outro país, Hitler nunca conseguiu ser nada além de um soldado raso, apesar de receber algumas medalhas pelo seu empenho e determinação.
De qualquer forma, a experiência na guerra deixou nele uma série de ressentimentos que teriam consequências dramáticas para sua história posterior. Na real, consequências pesadas para a história da Europa e do Mundo.
Em novembro de 1918, a guerra terminou com a Alemanha derrotada e humilhada pelas potências aliadas. No ano seguinte o Tratado de Versalhes foi assinado e formalizou o fim do conflito.
Ele obrigou a Alemanha:
1) A abrir mão de suas colônias e de partes de seu território.
2) A assumir a culpa pelos danos causados à Tríplice Entente.
3) Pagar uma multa enorme para custear as reparações de guerra.
4) Para completar, a Alemanha foi forçada a diminuir seus efetivos militares de mais de 13 milhões de soldados para apenas 100 mil homens.
O país que havia entrado na guerra como uma potência imperialista de salto alto, toda orgulhosa e poderosa, saiu dela arruinada, retalhada, endividada e praticamente sem exército.
Dá pra imaginar o tamanho do recalque que essa derrota causou em boa parte dos alemães. Aquela vitória esmagadora que iria provar a superioridade Alemã só não rolou....
Hitler encarnou esse sentimento amargo. Mas mais do que isso, ele soube se aproveitar desse clima de insatisfação generalizada para levar adiante seu plano macabro de tomar o poder.
Para elaboração dos roteiros sobre Hitler, tomamos como referência: Eric Hobsbawm. Era dos extremos: o breve século XX 1914-1991. São Paulo: cia das letras, 1996 Marc Bloch. Apologia da historia ou o oficio do historiador. Rio de Janeiro: zahar, 2007 Dick Geary. Hitler and Nazism. Lancaster: Routledge, 2000 Stephen J Lee. The Weimar Republic. Lancaster: Routledge, 1998 Stephen J Lee. Hitler and Nazi German (Qurstions and Analysis in History). Lancaster: Routledge, 1998
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